23.04.2016 – Salve os cavaleiros de Ogum

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Que nosso Pai Ogum nos ajude a vencer nosso dragão interior (ego, maldade, vaidade, vícios).

Salve a Linha de Ogum (São Jorge/Santo Antônio de Pádua),  vibração de Deus, Orixá da ordenança e da Lei.

Saravá Legiões: Ogum Beira-Mar, Ogum Rompe-Mato, Ogum Dele (Dilei), Ogum Matinata, Ogum Iara, Ogum Megê, Ogum Naruê, Ogum Xoroquê, Ogum de Malei, Ogum de Nagô.

 

 

 

Guias, mentores, quem são ?

mentores
Guias atuando no trabalho de cura

O termo Guia de luz como o próprio nome sugere, traz um significado de algo que me conduzirá sempre em direção a luz do Criador, em direção contrária a minha sombra, ou seja, me guiando em busca de minha reforma íntima para que um dia quem sabe, possa estar nos braços do Pai, liberto de meus próprios erros enquanto espírito.

O termo Mentores espirituais nos sugere um ser que nos orienta através de ideais estimulando nossa conscientização espiritual. Também evoluem e nos auxiliam a todo tempo em nossa caminhada enquanto encarnados. Deus em sua infinita piedade nos concede tanto em vida na carne, quanto no plano extra-físico a oportunidade de reparo.

Tudo aquilo que vem de Deus é do bem, tudo o que procede das vontades Dele é o bem pois é nosso Pai Maior, nos ama e a tudo responde.

Em missionários da Luz, André Luiz nos ensina:

“Com todo o apreço que devemos aos mentores espirituais, é preciso considerar que são vanguardeiros do progresso, sem serem seres infalíveis. Os mentores são grandes almas em abençoado progresso de sublimação, credores de nossa reverência pelo grau de elevação que já conquistaram, contudo são espíritos ainda ligados à humanidade terrena e em cujo seio se corporificarão, de novo, no futuro, através da reencarnação para o desempenho de preciosas tarefas.
Não são luminares isentos de errar. Não podemos exigir deles qualidades que somente transparecem dos espíritos que já atingiram a sublimação absoluta. São altos expoentes de fraternidade e conhecimento superior, porém, guardam ainda consigo probabilidades naturais de desacerto.
A palavra do guia é agradável e amiga, mas o trabalho de iluminação pertence a cada um. Na solução dos nossos problemas, nunca esperemos pelos outros, porque, de pensamento voltado para a fonte de sabedoria e misericórdia, que é Deus, não nos faltará, em tempo algum, a divina inspiração de sua bondade infinita”

Para nos conectarmos a esses guias é preciso criar uma harmonia vibracional com a intenção sempre voltada para o bem e a primeira ação é o pensamento positivo uma vez que um guia de luz como o nome diz, tende apenas a falar do bem, agir no bem, lembrando que há o livre-arbítrio e os mentores não podem intervir nesta liberdade particular de cada indivíduo. Como segunda (de mãos dadas com a primeira) ação, podemos citar o cultivo da fé. Acreditar no melhor, no amor, vibrar positivamente e lembrar que nada entre esse Céu e Terra é por acaso. Para não nos ligarmos a padrões desequilibrados se faz necessário consultar em nossa consciência como estamos agindo com o mundo lá fora.

As habilidades e conquistas específicas dos Mentores Espirituais variam muito de Espírito para Espírito. Porém, há uma unanimidade. Não existe Mentor Espiritual que não trabalhe muito e não existe evolução sem trabalho. Tal inferência remete-nos à frase que André Luiz utiliza para representar toda a obra “Nosso Lar”, a qual se encontra escrita na folha de rosto do referido livro: “Quando o Servidor está pronto, o serviço aparece”, que é uma espécie de paráfrase do conhecido ensino oriental “Quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece”. Vale lembrar-se de “O Livro dos Espíritos”: “Trabalho é toda ocupação útil”. (Nosso Lar.)

Na Umbanda os mentores se adaptam as características desta religião e atuam nos arquétipos de Velhos, caboclos, baianos, etc mas por trás dessa roupagem existem diversos espíritos com conhecimento e bagagem espiritual diferentes. Estes continuam em busca de progresso pois que esta é incessante e nunca demais.
Uma vez incorporados em seus médiuns inspiram bons pensamentos e a prática de boas atitudes. Consolam aos que os buscam, mas principalmente nos movem a buscar nossas próprias soluções sempre afim de colocarmos um ponto final em nossa negatividade no modo de pensar, agir, conduzir a vida.

Saravá.

Parábola do bom samaritano

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  1 – Mas quando vier o Filho do Homem na sua majestade, e todos os anjos com ele, então se assentará sobre o trono de sua majestade. E serão todas as gentes congregadas diante dele, e separará uns dos outros, como o pastor que aparta dos cabritos as ovelhas; e assim porá as ovelhas à direita, e os cabritos à esquerda; então dirá o rei aos que hão de estar à sua direita; vinde, benditos de meu Pai, possuí o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo. Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede e destes-me de beber; precisava de alojamento e recolhestes-me; estava nu e cobristes-me; estava enfermo e visitastes-me; estava no cárcere e viestes ver-me.  Então lhe responderão os justos, dizendo: Senhor, quando é que nós te vimos faminto e te demos de comer; ou sequioso e te demos de beber? E quando te vimos sem alojamento e te recolhemos; ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou no cárcere e te fomos ver? E respondendo o rei, lhes dirá: Na verdade vos digo, que quantas vezes vós fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim é que o fizestes. Então dirá também aos que hão de estar à esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno que está aparelhado para o diabo e para os seus anjos; Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber. Precisava de alojamento e não me recolhestes; estava nu e não me cobristes; estava enfermo no cárcere e não me visitastes. Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando é que nós te vimos faminto, ou sequioso, ou sem alojamento, ou nu, ou enfermo, ou no cárcere, e deixamos de te assistir? Então lhes responderá ele, dizendo: Na verdade, vos digo que quantas vezes o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer. E irão estes para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna. (Mateus, XXV: 31-46).

2 – E eis que se levantou um doutor da lei, e lhe disse, para o tentar: Mestre, que hei de eu fazer para entrar na posse da vida eterna? Disse-lhe então Jesus: Que é o que está escrito na lei? Como lês tu? Ele, respondendo, disse: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a sua alma, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. E Jesus lhe disse: Respondeste bem; faze isso, e viverás. Mas ele, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? E Jesus, prosseguindo no mesmo discurso, disse: Um homem baixava de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos dos ladrões, que logo o despojaram do que levava; e depois de o terem maltratado com muitas feridas, se retiraram, deixando-o meio morto. Aconteceu pois que passava pelo mesmo caminho um sacerdote; e quando o viu, passou de largo. E assim mesmo um levita, chegando perto daquele lugar, e vendo-o, passou também de largo. Mas um samaritano, que ia a seu caminho, chegou perto dele, e quando o viu, se moveu à compaixão: E chegando-se atou as feridas, lançando nelas azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, o levou a uma estalagem, e teve cuidado dele. E ao outro dia tirou dois denários, e deu-os ao estalajadeiro, e lhe disse: Tem-me cuidado dele; e quanto gastares demais, eu to satisfarei quando voltar. Qual destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões? Respondeu logo o doutor: aquele que usou com o tal de misericórdia. Então lhe disse Jesus: Pois vai, e faze tu o mesmo. (Lucas, X: 25-37).

3 – Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, ou seja, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinamentos, mostra essas virtudes como sendo o caminho da felicidade eterna. Bem-aventurados, diz ele, os pobres de espírito, quer dizer: os humildes, porque deles é o Reino dos Céus; bem-aventurados os que tem coração puro; bem-aventurados os mansos e pacíficos; bem-aventurados os misericordiosos. Amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros os que desejaríeis que vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quereis ser perdoados; fazei o bem sem ostentação: julgai-vos a vós mesmos antes de julgar os outros. Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar, e  de que ele mesmo dá o exemplo. Orgulho e egoísmo, eis o que não cessa de combater. Mas ele fez mais do que recomendar a caridade, pondo-a claramente, em termos explícitos, como a condição absoluta da felicidade futura.

            No quadro que Jesus apresenta, do juízo final, como em muitas outras coisas, temos de separar o que pertence à figura e à alegoria. A homens como aos que falava, ainda incapazes de compreender as coisas puramente espirituais, devia apresentar imagens materiais, surpreendentes e capazes de impressionar. Para que fossem melhor aceitas, não podia mesmo afastar-se muito das idéias em voga, no tocante à forma, reservando sempre para o futuro a verdadeira interpretação das suas palavras e dos pontos que ainda não podia explicar claramente. Mas, ao lado da parte acessória ou figurada do quadro, há uma idéia dominante: a da felicidade que espera o justo e da infelicidade reservada ao mau.

            Nesse julgamento supremo, quais são os considerandos da sentença? Sobre o que baseia a inquirição? Pergunta o juiz se foram atendidas estas ou aquelas formalidades, observadas mais ou menos estas ou aquelas práticas exteriores? Não, ele só pergunta por uma coisa: a prática da caridade. E se pronuncia dizendo: “Passai à direita, vós que socorrestes aos  vossos irmãos; passai à esquerda , vós que fostes duros para com eles”. Indaga pela ortodoxia da fé? Faz distinção entre o que crê de uma maneira, e o que crê de outra? Não, pois Jesus coloca o samaritano, considerado herético, mas que tem amor ao próximo, sobre o ortodoxo a quem falta caridade. Jesus não faz, portanto, da caridade, uma das condições da salvação, mas a condição única. Se outras devessem ser preenchidas, ele as mencionaria. Se ele coloca a caridade na primeira linha entre as virtudes, é porque ele encerra implicitamente todas as outras: a humildade, a mansidão, a benevolência, a justiça etc; e porque é ela a negação absoluta do orgulho e do egoísmo.

Evangelho segundo o Espiritismo (Capítulo: Fora da caridade não há salvação) Allan Kardec – Tradução de José Herculano Pires

Vida de Médium

A mediunidade é um dom do espírito. Com essa simples afirmação concluímos que a mediunidade é um sexto sentido em cada uma das pessoas que se manifesta. Essa manifestação acontece em um nível, em um ângulo de visão ou campo de atuação diferente para cada médium. Não dá pra comparar o desenvolvimento de uma ou outra pessoa. Não há regras absolutas. Pode acontecer devagarzinho, o médium se conscientizando aos poucos de sua missão e aceitando-a com Amor, iniciando assim sua caminhada de trabalho mediúnico, ou brutalmente, o que é mais comum. São as pessoas que vêm pela dor, pela necessidade.

Tem um jargão que diz: “A necessidade é mãe da criatividade.” E acrescento: é mãe da busca, da aceitação do inevitável, da conscientização. Os primeiros são os que vêm pelo Amor, os outros pela necessidade. Mas no fundo os dois necessitam exercitar esse dom divino.  E como dom do espírito, aquelas afirmações que cansamos de ouvir de que a mediunidade é punitiva caem por terra.
Como um dom divino, conquistado pelo espírito em sua caminhada evolutiva, pode ser uma punição?
Tenho conhecido médiuns de todo tipo. Tímidos, extrovertidos, amáveis, egoístas, dedicados, etc, etc, etc. A mediunidade não altera o caráter da pessoa, o que acontece é que a prática da mediunidade limpa, bem amparada, leva a pessoa à transformação, à mudança de comportamento.  Mas o caráter do médium é único, e se veio pra essa encarnação é porque em si algo podia ser melhorado. Alguns mestres espirituais já falaram que se a espiritualidade tivesse que esperar médiuns perfeitos não haveria religião baseada no contato extrafísico.
Somos imperfeitos, temos nossas necessidades carnais, nossos vícios e defeitos morais. Uns mais que outros, mas todos somos amparados pelo mesmo Criador, que nos vê igualmente como filhos, necessitados que somos de Seu amparo.  A mediunidade é sacerdócio. Somos sacerdotes de nosso templo interior. E a quem esse templo foi consagrado? Responda você mesmo!
O médium deve saber a quem consagrou seu templo, seu coração, pois a prática da religiosidade limpa ou a prática das intrigas que tanto atrapalham nosso meio, não só o umbandista, acontece em todo meio religioso.  O médium deve ter consciência que ele é o “homem de confiança” do consulente, homem não no sentido masculino da palavra, mas no sentido de ser humano. O consulente, ao procurar o médium para se consultar com o próprio ou com uma entidade incorporada, não o faz por outro motivo senão a necessidade. E aí está a importância do médium estar preparado: a presença do consulente, a chamada ‘assistência’. Esse é o verdadeiro motivo da prática mediúnica: a caridade. É poder atender nossos irmãos necessitados.
A mediunidade, vista com medo por alguns, em outros exerce um verdadeiro fascínio. O contato com o mundo espiritual, poder saber o futuro, ter um “poder” nas mãos. A clarividência, então, é objeto de desejo de muita gente. Quem nunca teve pelo menos curiosidade de saber como é a imagem de ‘seu’ Caboclo, ou de um Preto Velho? E os Exus e Pombagiras então? Esse é um poder muito relativo: quanto mais se conquista, mais se é cobrado. Cobrado por quem? Pela Lei, pela Justiça Divina? Num primeiro momento pela sua própria consciência, essa que está alojada em seu espírito imortal e não presa pela cadeia da matéria. O espírito livre pra pensar e caminhar conscientemente em direção ao Pai.
Atentem Srs., Sras. e Srtas. Médiuns! Não só os de Umbanda, mas todos que de alguma forma podem influenciar a vida das pessoas. Somos agentes de mudança de comportamento, agentes de transformação íntima das pessoas. Quando abrimos a boca para falar temos que ter na consciência que aquilo que verbalizaremos poderá mudar a vida da pessoa, positiva ou negativamente.
Para aqueles cuja mediunidade de vidência ou clarividência é ativa, o cuidado é ainda maior. Ouvimos sempre os dirigentes sérios orientando para que todos os médiuns se preparem para os trabalhos, tomem seu banho de defesa, acendam sua velinha para o anjo da guarda, etc. Mas, elemento importante da prática mediúnica, é o comportamento do médium. Imagine um cirurgião precisar beber uísque antes de exercer sua profissão. Você confiaria num dentista com sinais de embriaguez? Claro que não!

Se você estiver limpo, sua mediunidade será limpa, um bom canal, livre de interferências. No entanto, se estiver ligado aos canais do ódio, da inveja, da soberba, da fofoca, da preguiça, da teimosia, da vaidade, da traição, o que você espera canalizar? Jesus Cristo?
Muito cuidado com aquilo que você vê, ouve ou intui. Passe sempre pelo crivo das três peneiras: Verdade, Bondade e Necessidade.
Não seja disseminador de confusão. Não fale aquilo que não tem certeza ou daquilo que você não gostaria que falassem de você. Pense que poderá estar sendo instrumento apenas da ilusão. E, sendo iludido, iludirá também.
Diga não às fofocas e não deixe que suas observações pessoais sejam exteriorizadas durante as manifestações mediúnicas. Cuidado com o que você fala, pois a palavra tem poder de realização. E pode realizar tanto maravilhas quanto desgraças na vida das pessoas. Podem desfazer amizades de muito tempo e fechar portas que demorarão séculos para serem reabertas.
Transmita ânimo e coragem. Pregue através de seus atos. Não esqueça: seus atos são sempre observados.
E lembre-se:

PESSOAS INTELIGENTES FALAM SOBRE IDEIAS.
PESSOAS COMUNS FALAM SOBRE COISAS.
PESSOAS MESQUINHAS FALAM DAS OUTRAS PESSOAS.

Fonte: Vida de Médium

Não te canses de amar

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“Impelidos pelas causas do passado a reunir-nos no presente, é indispensável pagar com alegria os débitos que nos imanam a alguns corações, a fim de que venhamos a solver nossas dívidas para com a humanidade”

Emmanuel

“Não te canses de amar, sejam quais forem as circunstâncias, por mais ásperas se te apresentem.”

Joanna de Ângelis

…Falo de vivências familiares, do lar como o santuário de bênçãos onde aprendemos e exercitamos a paciência, o perdão, a compreensão e a tolerância, possibilitando-nos assim enfrentar as agruras da vida em sociedade, na qual teremos que desenvolver com maior intensidade estas virtudes assimiladas no dia a dia junto ao grupo familiar.

Essa compreensão maior das leis da vida torna-nos mais aptos a vencer as dificuldades no relacionamento familiar e assim, movidos pelo amor, vamos amenizando as feridas da alma, aparando as arestas da animosidade latente e suavizando a convivência, por vezes tão áspera. Creio que a dificuldade maior, em se tratando de convivência familiar, está no apego excessivo aos que caminham conosco, nas atitudes de egoísmo com relação aos direitos alheios e nas exigências descabidas de afetos, de considerações que ainda não dispensamos aos outros, exigindo da vida, distraídos de nossos deveres, o que não doamos, movidos pelo egoísmo. Considero a gentileza o primeiro estágio para aprendermos a amar e tolerar o próximo. E quando digo – próximo – falo daquele que está ao nosso lado na vida diária, principalmente no lar. Aprendamos a respeitar os que amamos, ou pretendemos amar, como desejamos que nos amem e respeitem. Não façamos dos entes queridos objetos de nossa satisfação e de atitudes egoísticas, usando-os como se fossem seres sem desejos próprios ou sonhos pessoais. No lar iremos aprender a exercitar o despojamento, o respeito, a ternura de amar sem exigir reciprocidade, a renúncia, a caridade moral, erguida em alicerce sólido e duradouro do exemplo, do amor, da solicitude e da compaixão.

(Parte do texto extraída do original de mesmo título escrito por Lucy Dias Ramos na edição de Dezembro de 2013 da revista O Reformador)

Uniões antipáticas

 

Uma vez que os Espíritos simpáticos são levados a unir-se, como é que, entre os encarnados, muitas vezes a afeição existe apenas de um dos lados e o amor mais sincero seja acolhido com indiferença e até com repulsa? Como é, além disso, que a mais viva afeição entre dois seres pode transformar-se em antipatia e mesmo em ódio?

Com essa questão, Kardec inicia o tópico “Uniões antipáticas”, tratado nas questões 939 a 940-a de O livro dos espíritos, Livro Quarto – Esperanças e Consolações, exclusivamente sob o prisma do amor entre homem e mulher, contudo, o tema é bem mais abrangente, tanto que também foi abordado sob outros ângulos no Livro Segundo – Mundo espiritual ou dos Espíritos, da mesma obra básica, com os títulos “Relações de simpatia e de antipatia entre os Espíritos.

Metades Eternas” (questões 291 a 303-a) e “Simpatias e antipatias terrenas” (questões 386 a 391).
Em se tratando das relações conjugais, há pessoas que amam sem ser amadas, o que lhes pode trazer grande sofrimento.
E por que exatamente isso ocorre? Este é um assunto importantíssimo, porque diz respeito ao relacionamento interpessoal, que começa na família e se reflete em todos os demais setores da humanidade.
O progresso, a construção e o funcionamento de uma sociedade justa e feliz dependem, essencialmente, da união e do entendimento entre as pessoas, sendo o lar um ótimo campo de exercício desse amor fraternal.
Jesus legou-nos o ensinamento de que não há como amar a Deus sem amar ao próximo. O Espiritismo, corroborando este ensinamento, afirma que os laços da fraternidade se constroem pela prática da caridade.
Mas, afinal, qual o significado da palavra “antipatia”?
Para entender melhor a antipatia, convém iniciar estudando o seu antônimo, a “simpatia”, cuja definição, de acordo com o dicionário, é semelhante ao conceito espírita: “1. afinidade moral, similitude no sentir e no pensar que aproxima duas ou mais pessoas”.1
A antipatia, portanto, é o oposto da simpatia, podendo ser resumida, também no sentido trivial, como a aversão espontânea ou gratuita por alguém ou algo, malquerença, repulsão, conhecida popularmente, quando se trata de relacionamento entre os casais, de “incompatibilidade de gênios”.

Antes de aprofundar esta questão, é preciso recordar, ainda que brevemente, a lei das afinidades estudada pelo Espiritismo. A afinidade é o laço de simpatia que une os seres vivos entre si. É pela afinidade que se formam os grupos de amigos em ambos os planos da vida:
– A simpatia ou a antipatia têm as suas raízes profundas no Espírito, na sutilíssima entrosagem dos fluidos peculiares a cada um e, quase sem sensações experimentadas pela criatura, desde o pretérito delituoso, em iguais circunstâncias.

Devemos, porém, considerar que toda antipatia, aparentemente a mais justa, deve morrer para dar lugar à simpatia que edifica o coração para o trabalho construtivo e legítimo da fraternidade.2
Encampando a proposta do benfeitor espiritual acima reproduzida, perguntamo-nos: como transformar a antipatia em simpatia, sobretudo no relacionamento a dois? Para chegar a essa resposta, é preciso entender que, em muitos casos, a atração ou repulsão existente entre os Espíritos explica-se pela reencarnação, em que dois seres se reencontram, desatando os nós dos sentimentos adormecidos no imo do ser.

Todavia, nem sempre a simpatia ou a antipatia que nutrem um pelo outro tem por princípio um conhecimento anterior entre eles:

Entre os seres pensantes há ligações que ainda não conheceis. O magnetismo é o piloto dessa ciência, que mais tarde compreendereis melhor.3 Não sem razão, Léon Denis assevera que “a lei das atrações e correspondências rege todas as coisas…”,4 donde se conclui que a afinidade pode ser de natureza moral ou fluídica, o que remete a outra questão da primeira obra básica:
[…] Há duas espécies de afeição: a do corpo e a da alma, tomando-se muitas vezes uma pela outra. A afeição da alma, quando pura e simpática, é durável; a do corpo é perecível. Eis por que, com muita frequência, os que julgavam amar-se eternamente acabam por odiar-se, desde que a ilusão se desfaça.5

Por exemplo, a circunstância de duas pessoas não se simpatizarem, de não se entrosarem nos gostos e preferências, não significa que sejam más. Este é um aspecto interessante da relação entre o casal que nem sempre é levado em conta:
Dois Espíritos não são necessariamente maus por não simpatizarem um com o outro. Essa antipatia pode resultar da diversidade no modo de pensar. Mas, à medida que se forem elevando, as diferenças se apagam e a antipatia desaparece.6 (Grifos nossos.)

Paradoxalmente, as diferenças existentes entre os pares, na convivência conjugal, servem mais para unir do que para separá-los. Tudo depende de como se comportam diante das inumeráveis situações da vida, que apresentam grandes oportunidades de aprendizado, de exercício da tolerância e do combate ao egoísmo, despertando a centelha do fogo sagrado do amor que dormita no coração de todos.7
Nas lições do Espiritismo, sobre o combate ao egoísmo, está a chave para fazer morrer a antipatia, dando lugar à simpatia:
O egoísmo, esta chaga da humanidade, tem que desaparecer da Terra, porque impede o seu progresso moral. É ao Espiritismo que está reservada a tarefa de fazê-la elevar-se na hierarquia dos mundos. O egoísmo é, pois, o alvo para o qual todos os verdadeiros crentes devem apontar suas armas, sua força, sua coragem. Digo:  coragem, porque é preciso mais coragem para vencer a si mesmo, do que para vencer os outros. Que cada um, portanto, empregue todos os esforços a combatê-lo em si, certo de que esse monstro devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho é a fonte de todas as misérias terrenas. É a negação da caridade e, por conseguinte, o maior obstáculo à felicidade dos homens.7

Não se desconsidere, porém, que, na pauta da lei de causa e efeito, muitos casais se reencontram para o necessário ajuste de contas. O encantamento dos primeiros encontros, com o tempo e a convivência, cede lugar à decepção, à amargura. Esse é um momento crítico, no qual entra o esforço de cada um em procurar vencer essas naturais resistências, que tendem a desaparecer com o cultivo da prece, do perdão, da compreensão:

[…] quantos não são os que acreditam amar perdidamente, porque julgam apenas pelas aparências, mas que, quando obrigados a viver com as pessoas, não tardam a reconhecer que não passava de um entusiasmo material! Não basta uma pessoa estar enamorada de outra que lhe agrada e em quem supõe belas qualidades; é vivendo realmente com ela que poderá apreciá-la. Por outro lado, quantas uniões, que a princípio parecem destinadas à antipatia, acabam se transformando em amor terno e duradouro, porque baseado na estima, depois que o casal passa a conhecer-se melhor e analisar-se mais de perto! Cumpre não esquecer que é o Espírito quem ama, e não o corpo, de modo que, dissipada a ilusão material, o Espírito vê a realidade.5

Ressalve-se, porém, que ninguém está condenado a viver infeliz ao lado de quem lhe desagrada. Nem mesmo Jesus consagrou a indissolubilidade absoluta do casamento, tanto que afirmou: “Foi por causa da dureza dos vossos corações que Moisés permitiu que despedísseis as vossas mulheres”:8

[…] Isso significa que, desde o tempo de Moisés, não sendo a afeição mútua a única finalidade do casamento, a separação podia tornar-se necessária.

Acrescenta, porém: “no princípio não foi assim”, isto é, na origem da humanidade, quando os homens ainda não estavam pervertidos pelo egoísmo e pelo orgulho e viviam segundo a lei de Deus, as uniões, baseadas na simpatia, e não na vaidade e na ambição, não davam motivo ao repúdio.8 (Grifos nossos.)
Estas conclusões não devem servir de pretexto ao desfazimento das uniões conjugais, ante a primeira dificuldade. Pelo contrário. Devem estimular a busca de soluções, todas elas encontradas no Evangelho de Jesus, para que a antipatia morra, dando lugar à simpatia.

Portanto, seja no relacionamento em família, seja no relacionamento em sociedade, a cada um de nós compete uma cota de esforço diário para melhorar a convivência com o nosso próximo mais próximo.

(Texto escrito por Christiano Torchi na revista O Reformador divulgada pela Federação Espírita Brasileira)

REFERÊNCIAS:

1 DICIONÁRIO ELETRÔNICO HOUAISS DA LÍNGUA PORTUGUESA. versão 3.0.
2 XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 29. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013. q. 173.
3 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2014. q. 388.
4 BORGES, A. Merci Spada. Doutrina espírita no tempo e no espaço. 800 verbetes especializados. 2. ed. São Paulo: Panorama Comunicações, 2001. Verbete sintonia, p. 333.
5 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2014. q. 939.
6 ____. ____. q. 390.
7 ____. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 3. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. 11, it. 9 e 11, respectivamente.
8 ____. ____. cap. 22, it. 5.

História e uso do pó de Pemba – (Efum) Africano

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Segundo muitos pesquisadores, a pemba foi trazida pelos bantos, que já a faziam para seus ritos religiosos na África. Esta teoria é reforçada segundo o dicionário de termos afro-brasileiros de Nei Lopes, pelo fato de que a palavra pemba significa cal em kimbundo, e mpemba é o termo para giz em kikongo. A pemba legítima é importada da África.

Efun mineral: é um pó retirado de calcário, que são encontrados na natureza em várias cores, também chamada de tabatinga. É utilizado na feitura de santo que serve para pintar o corpo do neófito, chamada de efum fum (pó branco).

O que torna essas pembas vindas da África tão especiais é o fato de que os artesãos entoam cânticos religiosos para consagrá-las enquanto realizam todas as etapas de sua produção: o minério extraído das jazidas de cal é pulverizado, misturado com corantes e cola, modelado e embrulhado em folhas de bananeira, depois de seco.

Efun (barro branco encontrado no fundo dos rios); foi o primeiro condimento utilizado antes da introdução do Sal. Muito usado em Ebos elaborados para aos Orixas Funfum. O efun simboliza o Dia, por isso, quando em pó, seja soprado ou friccionado seco é utilizado com o objetivo de expandir, vitalizar, iluminar, clarear, despertar, avivar.

Já o Efun molhado com água pura ou com o soro do Igbin é utilizado para acalmar, tranqüilizar, adormecer, suavizar, abrandar, repousar, proteger. Por isso que a cabeça do Yawo em reclusão deve permanecer coberta de pó de Efun durante o Dia, e durante a noite coberta com Waji e pequenas marcas de Efun.

Efun vegetal: é um pó retirado de frutos tipo: obi, orobo, aridan, pichurin, nós-moscada e folhas sagradas.

A mistura do efun mineral e o efum vegetal recebe o nome de Atin e dentro de algumas tradições ele só deve ser preparada pela iyaefun, iyalorixa ou sacerdote do culto.

Efun animal: é um pó retirado de ossos e cartilagens dos animais utilizados em sacrifícios aos orixás. Nas tradições africanas, esta extração deve ser feita pelo axogun ou babalorixá, entrando na preparação de assentamento de orixá.

O pó de pemba é muito eficaz enquanto prática magística, pois raramente deixa sinais de seu uso, o que é conveniente, especialmente quando o encantamento se destina a pessoas que não devem ter conhecimento de seu uso.

A pemba ralada é usada como um dos ingredientes que compõem muitos Afoshés ou pós mágicos, embora existam pós feitos sem pemba, podendo esta ser substituída por barro de rio ou outro tipo de terra, misturado com ervas, sementes, partes de animais e outros ingredientes, com variações decorrentes da influência dos valores culturais dos diversos povos que formaram as tradições religiosas e mágicas brasileiras.

Em decorrência de sua origem, esses pós também são chamados “pembas”, mesmo quando não são feitos com o giz pulverizado, legitimamente africanos.

Fonte: Afoshés, Patuás e Talismãs (A. Yamazaki)

Orixás e Umbanda – O que tem no meio ?

TronosResumo

Falar de religião é algo muito pessoal e requer muito cuidado, pois devemos não julgar a religião do próximo, não podemos criticar. Também não é aconselhável fazer com que as pessoas comunguem de nossas realidades, ou seja, não se faz necessário convencer o outro de que a nossa religião é a correta. Tenhamos em mente que toda religião possui um traço de uma anterior e isso é uma ponte importante entre o respeito mútuo e a valorização da religiosidade seja qual for a sua forma prática e ritualística. Cada cultura possui sua característica religiosa e certamente Deus permite a cada um praticar suas crenças. Se não fosse assim, não teríamos uma gama tão variada de religiões pelo mundo afora. Em cada pedaço dessa terra há uma forma de se conectar ao Plano divino e este certamente é o ponto principal, estar em comunhão com Deus a fim de evoluir moralmente através dos ensinamentos pregados em todas as religiões que visam beneficiar os que acreditam no sagrado.

Com isso, damos início à explicação de forma simples na crença Umbandista, religião que cultua os Orixás como divindades.

Orixá é uma palavra que vem do Iorubá (Grupo de milhões de africanos interligados por uma mesma linguística de mesmo nome, cultura e valores)

A palavra Òrìsà que se aplica ao ser sobre-humano é segundo a Mitologia Iorubá, é o estado alcançado por seus ancestrais, ou seja, atingindo um grau de divindade.

Assim como muitos outros povos, o país África também possui seus mitos e seus Deuses. Conta à história que o culto aos Orixás, ou seja, as divindades para este povo teve início na Nigéria, Togo e Daomé. Cada região, ou agrupamento de pessoas com mesma crença possui suas lendas e mitos, portanto entendemos que existem cultos em cada nação.

É válido ressaltar que não temos a pretensão de aprofundar a história mitológica da África, apenas conhecer que ela existe assim como as mitologias grega, hindu, cristã, nórdica, tupi-guarani etc com seus Deuses, lendas e mitos.

Dentro da mitologia Africana são muitas as divindades, e nem sempre são tratadas por Orixás. Por exemplo, a Nação de Angola (Negros bantos) nomeia seus Deuses de Inkices, já na nação Jeje (Negros Fons), as divindades são tratadas pela nomeação Voduns.

Na religião de Umbanda, a fundamentação dos Orixás consiste em potencialidades de Deus que regem o grande poder dos elementos da natureza. Indícios históricos indicam o culto aos Orixás como um dos mais antigos da história humana.

 Mas a Umbanda não nasceu em 1908 no Rio de Janeiro, anunciada pelo espírito do caboclo das Sete Encruzilhadas, por intermédio de Zélio Fernandino de Moraes? A religião de Umbanda pode, respeitamos e aceitamos que assim tenha sido anunciada neste tempo como a religião da prática do bem, extirpando qualquer sentimento contrário a caridade, mas não podemos negar tudo o que ocorrera antes de Novembro de 1908.

É possível negar a existência de Abraão, o Pai da multidão em hebraico, e sua significativa importância para as religiões que creem em um Deus único? É um fato bíblico, está na história e nós seres humanos somos parte destes fatos. Assim como não negamos o dilúvio de Noé, nem o primeiro templo criado por Rei Salomão.

Também não negamos a passagem (João 8:58) – Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou. 

Seria audacioso interpretar esta passagem com uma visão Umbandista?

Antes da existência de quem quer que tenha sido eu sou uma qualidade de Deus, eu sou um enviado, eu sou a fé e a verdade.

Não podemos negar que antes do tráfico de escravos chegar até o Brasil por meio da Diáspora africana, o costume de escravizar já era comum desde os primórdios. Tínhamos escravos entre diversos povos como Incas, Maias, chineses, hebreus etc.

Essa é uma observação para desatarmos o nó da ideia de que somente o negro africano foi escravizado.

Voltando a nossa linha de raciocínio, e ao nosso interesse, o Brasil recebeu diversos Africanos para fins escravagistas que todos nós conhecemos através das histórias mais variadas contadas por nossos professores na escola/faculdade.

A mão-de-obra barata havia sido encontrada já em terras Brasileiras, os indígenas também foram feito escravos, porém o Índio além de conhecer estas terras como nenhum Portugues, o que era de suma importância para os “conquistadores”, também não representava tanta força braçal, sendo assim a Igreja católica proibiu escravizar o povo que já habitava nossas terras. Então, no século XV os colonizadores retornaram ao País África para compra de escravos. E assim, pelo escambo, trocados por aguardente, armas e demais mercadorias, chegavam nos navios negreiros, milhões de escravos de diversas nações, introduzidos juntos no Brasil. Cada nação possuía sua religiosidade, sua forma de adorar seus Deuses, por uns chamados Inkices, por outros chamados Voduns, alguns outros chamando de Orixás e também por outros nomes que talvez não tenhamos conhecimento.

Sabemos que os cultos oriundos de África eram proibidos em nosso País devido à forte influência da Igreja que introduziu o Catolicismo como a religião a seguir neste novo mundo. Com isso catequizou os Índios e posteriormente tentou fazer o mesmo com os escravos africanos.

Entendemos o sincretismo religioso como uma atitude humilde deste povo visto que aceitaram cultuar os Santos Católicos conforme obrigatoriedade imposta pela Igreja, contudo este povo africano continuou adorando suas divindades agora associadas às divindades Católicas. Entendemos na linha de Umbanda a associação das qualidades divinas e Santos conforme ensinamentos deixados por Rubens Saraceni, na seguinte estrutura:

 Oxalá — Jesus Cristo, Trono masculino da Fé;

 Oyá-Tempo — Santa Clara, Trono Feminino da Fé;

Oxumaré — São Bartolomeu, Trono masculino do amor;

Oxum — Nossa Senhora da Concepção, Trono feminino do amor;

Oxóssi — São Sebastião, Trono Masculino do Conhecimento;

Obá — Sta. Joana D’Arc, Trono Feminino do Conhecimento;

Xangô — Moisés / São Jerônimo, Trono Masculino da Justiça;

Iansã — Santa Bárbara, Trono Feminino da Justiça;

Ogum — São Jorge, Trono Masculino da Lei;

Egunitá — Santa Sara Kali / Santa Brígida, Trono Feminino da Lei;

Obaluayê — São Lázaro, Trono Masculino da Evolução;

Nana Boroquê — Santa Ana, Trono Feminino da Evolução;

Omulu — São Roque, Trono Masculino da Geração;

Iemanjá — Nossa Senhora dos Navegantes, Trono Feminino da Geração.

No livro Dicionário da Escravidão Negra de Clóvis Moura (Pg. 210) temos um exemplo clássico de como antes do ano 1908 já havia feiticeiros, curandeiros, preparação de patuás assim como o mau uso do feitiço, utilizado por uma escrava para prática negativa contra sua Senhora.

CLóvis Mauro Pg 2010

Há um longo caminho entre culto as divindades, sua mistura e sincretismo com outras religiões até o anúncio de nossa religião, e assim como a Umbanda, religião linda e Brasileira, outras religiões nasceram desses encontros de nações que retiradas à força de seu País, clamaram a seus Deuses, em uma só fé, em uma só voz.

Saravá Umbanda!

Orixá Exu – I

Em resumo bem definido, a Umbanda pratica somente o bem. E Tudo o que for contra o bem estar dos indivíduos, contra o progresso moral, não é Umbanda.

vazio

Muitos têm Exu como o primeiro Orixá gerado, que, por isso, tem a primazia no culto.
Essa primazia se justifica se entendermos a criação como um encadeamento de ações divinas
destinadas à criação do Universo e dos meios para que os seres pudessem evoluir.
Nós aprendemos que dois corpos não ocupam o mesmo “espaço” e, a partir daí, deduzimos que,
para haver o espaço, tinha que haver algo em outro estado que permitiu a criação de uma base
estável para que, aí sim, tudo pudesse ser criado. Esse estado é o de “vazio”, pois, só não havendo
nada dentro dele, algo poderia ser criado e concretizado, mas como outro estado. Então, unindo o
primeiro Orixá (Exu) e o primeiro estado da criação (o vazio absoluto), temos a fundamentação do
Mistério Exu

(Do livro Orixá Exu de Rubens Sareceni)

“Exu é o Guardião das Passagens e Porteiras que existem em nosso mundo visível, protegendo, para que não adentrem em nosso ambiente as influências negativas. Sua característica mais marcante é a de transmissor da fertilidade e da fecundação. Caminha no tempo e espaço com tranquilidade, abrindo nossos caminhos.

Difícil falar de Exu sem comentar a controvertida face do mal que se formou no imaginário popular. Outro ponto bastante discutível é se ele é um Orixá ou apenas mais uma Entidade representativa do ser humano. Mas Exu é muito mais que isso; tanto pode se apresentar no mundo visível que conhecemos, como também no mundo dos Orixás, Entidades e Espíritos dos Mortos.

Exus são Entidades muito poderosas, mas qualquer um que se utilize de sua vibração deve tomar sempre muito cuidado para não causar um desequilíbrio energético. Ele é o mensageiro, aquele que leva nossos pedidos até o conhecimento dos Orixás.

Na época da escravidão, os negros africanos dançavam nas senzalas e os brancos entendiam como uma simples saudação aos seus deuses. Mas ali incorporavam seus Exus que, com seu jeito de se movimentar e gritar, acabavam por assustá-los. Estes, os brancos, agrediam os médiuns, dizendo que estavam possuídos pelo demônio. Com o tempo, os brancos conheceram melhor a religiosidade africana e sabiam das entregas feitas a Exu, confirmando, em sua visão deturpada, a “incorporação do demônio”. Dessa forma, essas e outras incorporações mal interpretadas foram se inserindo na mentalidade do povo, fazendo com que esse grave erro de entendimento perdurasse por muitos anos, acima de seu verdadeiro contexto.

Infelizmente, nosso querido Guardião Exu ainda é visto por muitos como aquele que faz o mal, e se satisfaz com o que esse mal possa provocar. Durante anos e anos, segmentos religiosos contrários fizeram de tudo para atribuir-lhe conceitos errôneos, criando demônios para defini-lo. Tudo isso não passa de uma grande e injusta mentira, que hoje, graças à evolução, está sendo derrubada, fazendo com que muitos conheçam sua verdadeira função e atividade, que é a de guardião e controlador da

Criação e do Universo. É através do Exu que nós, seres humanos, conseguimos exercer nosso livre arbítrio, falando diretamente de nosso coração. Muitos procuram Exu para satisfazer desejos mesquinhos de vingança, sem se importar com a Lei da Evolução, que é implacável e devolve tudo quando menos se espera.”

PERGUNTA: O que caracteriza hoje a Gira de Esquerda e até que ponto ela é importante para a Umbanda?

RESPOSTA: Na minha opinião, a Gira de Esquerda é indispensável para a Umbanda, porque trabalhamos com a força dos Orixás, e quem trabalha com a força dos Orixás deve também se utilizar da Linha de Esquerda, onde trabalham as Entidades que lidam, controlam e refreiam um pouco as investidas dos espíritos do baixo astral. Nas Giras de Esquerda, Exu e Pomba-Gira são indispensáveis, porque são eles que lidam com essas forças negativas.

PERGUNTA: Em sua concepção, Exu é um Orixá ou uma Entidade?

RESPOSTA: É indiscutível que Exu é um Orixá com a mesma grandeza que os outros. Assim como o Orixá Ogum, em que as linhas de trabalho se apresentam como Caboclos de Ogum, o Orixá Exu tem suas linhas de trabalho que se apresentam como Exus dos mais variados campos: Exus das Encruzilhadas, Exus do Cemitério, Exus das Matas, Exus das Pedreiras, que nada mais são do que manifestadores do Mistério Exu na irradiação dos Orixás.

PERGUNTA: E o Exu possui uma irradiação específica?

RESPOSTA: A irradiação pura de Exu, dentro da Umbanda, não é trabalhada, ela só é trabalhada através dos Exus que incorporam nos médiuns como Exus de Trabalho, Exus Guardiões dos Médiuns. Nem o grau de guardião é muito explorado na Umbanda.

PERGUNTA: E o que o senhor me diz com relação ao Exu, através do sincretismo, ter sido associado ao demônio, com coisa do mal?

RESPOSTA: Isso é um mito popular que se criou de que Exu é demônio. A palavra demônio, fazendo aqui um parêntese, é espírito, mas tem essa conotação de coisa trevosa.

Exu não é demônio, na religião é elemento religioso, na magia é elemento mágico, na Lei é executor. Então, para nós umbandistas, Exu não tem essa conotação de um ser demoníaco, como no catolicismo essa palavra tem. Acredito até que, por desconhecimento de causa, muitas pessoas acabaram acreditando e ainda acreditam nisso; de onde se criou esse mito popular tão bem explorado por determinadas seitas, que se utilizam de Exu como um “espantalho” para explicar o mal das pessoas, quando sabemos que o mal de cada um reside em si mesmo, e não em seu exterior. Eu não aceito essa conotação, porque trabalhamos com o Exu que ajuda as pessoas, cura, abre os caminhos, e, se fosse esse “demônio” de que tanto falam, não faria tudo isso.

PERGUNTA: Alguns Terreiros costumam utilizar roupas escuras em suas Giras de Esquerda. É realmente necessário esse tipo de vestimenta? Quem solicita esse aparato?

RESPOSTA: Isso tudo vai depender da formação do médium. Existem correntes de Umbanda que recomendam que em dia de Gira de Exu os médiuns devem se vestir de preto e vermelho. Eu respeito, mas não adoto esse tipo de trabalho.

Em nossa corrente, nas Giras de Exu todos os médiuns estão vestidos de branco e vibram do mesmo jeito que quando recebem qualquer outro tipo de espírito, não será a nossa veste física que irá mudar o etérico. Eu não adoto em nossos trabalhos espirituais o uso das capas e das vestes pretas e vermelhas, mas também não condeno, porque tudo é uma questão de estilização da Linha de Trabalho.

PERGUNTA: É possível ao Exu prestar a caridade?

RESPOSTA: Da mesma forma que a caridade prestada pelo Caboclo. Dentro do trabalho espiritual, Exu está para servir às pessoas, apenas tem uma forma diferente de trabalho por lidar com as forças negativas dentro daquilo que foi reservado a ele, que precisa de elementos específicos.

Enquanto o Caboclo precisa de uma oferenda com frutas, velas coloridas e flores, o Exu precisa da mesma oferenda, mas usando a pimenta, o dendê, pinga, velas pretas, charutos e moedas, elementos característicos que ele manipula com muita facilidade, e usa também esses mesmos elementos para fazer a limpeza etérica e espiritual das pessoas.

PERGUNTA: E as oferendas a Exu que as pessoas costumam entregar nas encruzilhadas? Por que a encruzilhada?

RESPOSTA: Quando alguém se consulta com Exu e pede uma ajuda, ele fala: Faça uma oferenda para mim na encruzilhada, ou nas matas… Existem Exus que trabalham nos cruzamentos das irradiações divinas, que pedem que se despache para ele na encruzilhada. As pessoas entendem como encruzilhada física, e não é necessariamente essa a encruzilhada. Para fazer uma verdadeira oferenda na encruzilhada, a pessoa teria que construí-la em um ponto mágico, em qualquer lugar. Através daquele ponto mágico a pessoa acessa a vibração que o Exu precisa para trabalhar e ajudá-la. As entregas não precisam ser feitas necessariamente nas ruas, ainda que as pessoas façam e o Exu acabe recebendo ali, porque o objetivo dele é ajudar, não tem culpa que as pessoas desconheçam o lado oculto do mistério dele.

PERGUNTA: Vamos falar sobre o mistério do demônio. O senhor acredita na existência dessa carga contrária à evolução?

RESPOSTA: Eu não admito essa conotação que tem o demônio. Digo que existem as esferas negativas projetadas por nós encarnados, alimentadas por nós mesmos. São frequências vibracionais que existem na Criação; quem entra em sintonia vibratória com essas frequências é porque está totalmente negativado, o ser humano é o alimentador disso.

PERGUNTA: No que diz respeito à evolução, não é necessário também esse processo de cada um no contexto do equilíbrio cósmico?

RESPOSTA: Claro que sim. Como podemos admitir que uma pessoa, que teve uma passagem terrível e danosa ao seu semelhante aqui na Terra, depois que desencarna ser recolhida no astral junto com espíritos que aqui fizeram uma caminhada luminosa e que são amantíssimos da paz? A mistura acontece no plano físico, não no plano astral. A Lei Maior criou essas faixas vibratórias justamente para recolher esses espíritos, onde eles passam por um esgotamento energético e emocional, e dali só saem quando estiverem preparados para aceitar determinados procedimentos em acordo com a Lei da Evolução. Enquanto não aceitarem vão continuar ali, como numa prisão.

PERGUNTA: O senhor acredita que a Terra seja um planeta de provas?

RESPOSTA: Não. Acredito que este planeta é muito abençoado, porque, até onde sabemos, até onde a ciência conseguiu nos mostrar até agora, não existe outro planeta habitado por perto, se existe, está muito distante. Se os outros não têm esse lado material, o nosso é um planeta privilegiado.

PERGUNTA: O senhor possui uma obra literária umbandista na qual retrata essa questão. Fale sobre o livro “O Guardião da Meia-Noite”, que hoje já se tornou um ícone no que diz respeito à questão dos guardiões, da magia dos Exus.

RESPOSTA: O Guardião da Meia-Noite tornou-se de fato um referencial; acredito ter sido o primeiro livro publicado que aborda de forma tão clara o transe evolutivo de um espírito após a sua queda, sua regressão consciencial. Esse livro retrata a história de um espírito que traz em si um poder muito grande, mas que, por razões que são bem descritas, ele acabou indo parar na faixa negativa, e de lá teve coragem de se reerguer, coragem de admitir seu erro, sua culpa, e iniciar o seu processo de subida vibracional, não física. Ele é o guardião de um mistério. O mistério da passagem. A meia-noite nada mais é do que a passagem, ele é um guardião de passagem, assim como existem outros guardiões, de outros campos. São irradiadores de mistério e têm o poder de agregar espíritos ao mistério deles, e esses espíritos passam a ser manifestadores desses mistérios e se apresentam com o nome deles.

PERGUNTA: Essa obra o senhor considera uma psicografia da Umbanda?

RESPOSTA: É uma psicografia e tem um mentor espiritual responsável por ela, que é o Pai Benedito de Aruanda. Pai Benedito disse que esse trabalho era o início, a abertura para as psicografias dentro da Umbanda num sentido literário, criando uma literatura com valores umbandistas, personagens que se manifestam dentro da Umbanda e que muitos outros autores se somariam a isso posteriormente, e isso eu já vi acontecer.

PERGUNTA: Quais as últimas palavras que o senhor deixa aos nossos leitores no sentido da conscientização do verdadeiro atributo de Exu?

RESPOSTA: Peço aos leitores que meditem sobre isso: O Exu possui uma característica dupla: tanto pode ser ativado para abrir como para fechar os caminhos. O que as pessoas precisam entender é que Exu é neutro, o responsável pelos atos é quem os pratica. Que cada um use o Mistério Exu em seu benefício e de seu semelhante, nunca para prejudicar o próximo. Assim, estará ajudando na evolução do próprio Exu, tirando seu negativismo, e comecem a resgatá-lo, pois ele é preciosíssimo para a Umbanda, é o Mistério da Esquerda, é indispensável, não podemos ficar sem a Entidade Exu na Umbanda, e não podemos permitir que as pessoas usem seu poder duplo para acertar contas terrenas, porque estarão contrariando a evolução e tudo retornará a elas, com toda certeza.

(Entrevista de Rubens Saraceni à Revista Espiritual de Umbanda, Ed. Especial 1, ano I, Editora Escala)

Milho de Pipoca

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A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por que devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser.

O milho de pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro.

O milho de pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer. Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.

Assim acontece com gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira.

São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Só elas não percebem. Acham que é o seu jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo.

O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor.

Pode ser o fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder o emprego, ficar pobre.

Pode ser o fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão, sofrimentos cujas causas ignoramos.

Há sempre o recurso do remédio. Apagar o fogo.

Sem fogo, o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação. Pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pensa que a sua hora chegou:

Vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: Bum!

E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado.

Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não podem existir coisas mais maravilhosas do que o jeito delas serem. A sua presunção e o medo são a dura casca que não estoura.

O destino delas é triste. Ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca e macia. Não vão dar alegria a ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

E você o que é?

Uma pipoca estourada ou um piruá?

autor desconhecido