Interpretação de nomes de Entidades na Umbanda Sagrada

Existe uma Ciência Divina que permeia a religião de Umbanda, por meio da qual é possível fazer uma correta interpretação dos nomes das Entidades, Guias e Exus.

Existe grande curiosidade sobre a força e regência na qual nossas Entidades e Exus trabalham, pois todos estão atuando no campo de um ou mais Orixás. É importante dizer que não importa qual é o Orixá de cabeça do médium; estas informações podem ajudar, mas não são determinantes para identificar com qual entidade o médium trabalha.

Para interpretar os nomes precisa-se da chave interpretativa, que é a correta relação entre os elementos dos nomes e seus Orixás correspondentes. Por exemplo, se montanhas são de Xangô, Caboclo tal da Montanha, Exu Montanha e todas as entidades e guias com “sobrenome” Montanha são de Xangô, assim como Caboclo Sete Montanhas, Exu Sete Montanhas e todas as entidades e guias com “sobrenome” Sete Montanhas são de Xangô, trabalhando nas Sete Linhas de Umbanda. E assim por diante.

Também é preciso conhecer os fatores, verbos e ações relacionados aos Orixás, como por exemplo: cortar, arrancar, romper, abrir, trancar, girar, virar. Desta forma, identifica-se a quem pertence os fatores. Exemplo:

Fator abrir = Ogum – que dá origem às falanges:
Abre Caminho (Ogum/Ogum)
Abre Rio (Ogum/Oxum)
Abre Matas (Ogum/Oxossi)
Abre Tudo (Ogum/Oxalá)
Abre Calunga (Ogum/Obaluaê).

E com identificação do elemento principal, como: “pedra” ou “pedreira” (Xangô), “água ou cachoeira” (Oxum), “estrada” (Ogum), etc. vai-se localizando o campo de atuação:

Pedra Preta (Xangô/Omulu)
Pedra de Fogo (Xangô/Xangô ou Ogum)
Pedreira das Almas (Xangô/Obaluaê)
Pedreira de Ferro (Xangô/Ogum)
Pedreira de Ouro (Xangô/Oxum).

Por mais que se conheça a chave de um nome, é muito comum a entidade não revelar seu nome por inteiro.

Posso saber que trabalho com Exu Tranca Ruas, um Exu de Ogum, no entanto, ele pode ser Tranca Ruas das Matas, logo vai voltar-se a Oxossi, então, ele é um Exu de Ogum atuando nos campos de Oxossi.

Ainda assim não é suficiente para identificar o nome da Entidade. Sua correta revelação dever ser feita somente nas obrigações, com a própria Entidade dando a interpretação.

Lista com os fatores e chaves das entidades:

A

Abre (caminho, rio, mar, mata, etc.) – Ogum
Águia Negra – Oxossi ou Ogum
Almas, das – Obaluaê
Âncoras – Iemanjá, Ogum
Ar, do – Iansã
Aranha – Iansã
Arranca (toco, tudo, rua, mar, almas) – Ogum
Arrebenta – Ogum

B

Bará – Oxalá
Brasa – Iansã e Ogum
Buraco, do – Omulu

C

Cachoeira, da – Oxum
Cabaça – Nanã
Cabeça – Oxalá
Cadeado – Ogum e Xangô
Caldeira – Xangô, Iansã
Calunga – Obaluaê
Caminho, do – Ogum
Campa – Omulu
Campina – Iansã, Ogum
Capa (preta, das almas, encruzilhada) – Oxalá
Carranca – Ogum e Oxalá
Casco – Ogum
Catacumba – Omulu
Caveira – Omulu
Cemitério – Obaluaê
Chave – Oxalá
Chicote – Iansã
Chifre – Iansã
Cipó – Oxossi
Cobra – Oxossi
Corisco – Iansã
Coroa – Oxalá
Corrente – Ogum e Oxum
Corta (fogo, vento, rua) – Ogum
Cova – Omulu
Cravo (preto, vermelho) – Oxossi
Cruz – Obaluaê
Cruzeiro – Obaluaê
Curador – Obaluaê

E

Encruzilhada – Oxalá, Ogum e Obaluaê
Escudo – Ogum
Espada – Ogum
Estrada – Ogum
Estrela – Oxalá

F

Faísca – Iansã
Fagulha – Iansã, Xangô
Fechadura – Nanã
Ferro, do – Ogum
Ferrolho – Ogum e Oxum
Ferrabrás – Xangô
Ferradura – Ogum
Figueira – Oxossi
Fogueira – Ogum
Fogo – Xangô, Iansã
Folha – Oxossi

G

Galhada – Oxossi
Ganga – Oxalá
Garra – Oxossi
Gargalhada – Erês
Gato (preto, branco) – Oxossi
Gira (mundo, fogo, etc) – Logunan, Iansã
Gruta – Oxum
Guiné (planta, não o local) – Oxossi

H

Hora Grande – Oxalá

L

Labareda – Xangô, Iansã
Laço – Oxossi
Lama – Nanã
Lança – Ogum
Lonan – Ogum
Lucifer – Oxalá
Lodo – Nanã

M

Maioral – Oxalá
Mangueira – Oxossi e Iansã
Marabô – Oxossi e Iansã
Matas – Oxossi
Meia- Noite – Omulu
Montanha – Xangô
Morcego – Omulu
Morte – Omulu
Mulambo – Omulu
Mar – Iemanjá

O

Ondas – Iemanjá, Iansã
Ouro – Oxum

P

Pantanal – Oxossi
Pantera Negra – Oxossi
Pedra (preta, do fogo) – Oxum, Xangô
Pemba – Oxalá
Pena preta – Oxossi
Pimenta – Oxossi e Omulu
Pinga Fogo – Iemanjá e Xangô
Pirata – Iemanjá
Pó, do – Omulu
Poeira – Omulu e Iansã
Porta – Obaluaê
Porteira – Obaluaê
Prego – Ogum
Punhais – Iansã e Ogum

Q

Quebra (galho, tudo, porta, etc) – Ogum
Quedas – Oxum

R

Raios – Iansã
Raiz – Oxossi
Rei – Oxalá
Relâmpagos – Iansã e Xangô
Rompe (rua, matas, almas, ferro…) – Ogum
Ruas – Ogum

S

Serra Negra – Xangô
Sombras – Oxalá

T

Tatá – Obaluaê
Tatá Caveira – Omulu e Obaluaê
Terra (preta, vermelha, seca) – Omulu
Tira Gira, Teima, Toco – Iemanjá
Toco (preto) – Oxossi
Tranca (ruas, cruzes, matas, gira, tudo, cruzeiro) – Ogum
Treme Terra – Omulu
Trinca (Ferro) – Omulu
Tronco – Oxossi
Trovão – Xangô
Tumba – Omulu

V

Veludo – Oxum
Vento – Iansã
Ventania – Iansã
Vira (mundo, tudo, vento, folha, mata, mar) – Ogum

Z

Zé Pelintra – se manifesta na Umbanda na força de Oxalá e Ogum. Ainda assim há Zé Pelintra das matas, da cachoeira, do mar, etc.

Fonte: “Livro de Exu”, ” Orixá Exu”, “Sete linhas de Umbanda”, “Umbanda Sagrada”, “Rituais Umbandistas”, “Lendas da Criação”, “Tratado Geral de Umbanda”, “Código de Umbanda”, “Doutrina e Teologia de Umbanda”, “Fundamentos Doutrinários de Umbanda” e “Guardião da Meia Noite”.
Rubens Saraceni

Guias, mentores, quem são ?

mentores
Guias atuando no trabalho de cura

O termo Guia de luz como o próprio nome sugere, traz um significado de algo que me conduzirá sempre em direção a luz do Criador, em direção contrária a minha sombra, ou seja, me guiando em busca de minha reforma íntima para que um dia quem sabe, possa estar nos braços do Pai, liberto de meus próprios erros enquanto espírito.

O termo Mentores espirituais nos sugere um ser que nos orienta através de ideais estimulando nossa conscientização espiritual. Também evoluem e nos auxiliam a todo tempo em nossa caminhada enquanto encarnados. Deus em sua infinita piedade nos concede tanto em vida na carne, quanto no plano extra-físico a oportunidade de reparo.

Tudo aquilo que vem de Deus é do bem, tudo o que procede das vontades Dele é o bem pois é nosso Pai Maior, nos ama e a tudo responde.

Em missionários da Luz, André Luiz nos ensina:

“Com todo o apreço que devemos aos mentores espirituais, é preciso considerar que são vanguardeiros do progresso, sem serem seres infalíveis. Os mentores são grandes almas em abençoado progresso de sublimação, credores de nossa reverência pelo grau de elevação que já conquistaram, contudo são espíritos ainda ligados à humanidade terrena e em cujo seio se corporificarão, de novo, no futuro, através da reencarnação para o desempenho de preciosas tarefas.
Não são luminares isentos de errar. Não podemos exigir deles qualidades que somente transparecem dos espíritos que já atingiram a sublimação absoluta. São altos expoentes de fraternidade e conhecimento superior, porém, guardam ainda consigo probabilidades naturais de desacerto.
A palavra do guia é agradável e amiga, mas o trabalho de iluminação pertence a cada um. Na solução dos nossos problemas, nunca esperemos pelos outros, porque, de pensamento voltado para a fonte de sabedoria e misericórdia, que é Deus, não nos faltará, em tempo algum, a divina inspiração de sua bondade infinita”

Para nos conectarmos a esses guias é preciso criar uma harmonia vibracional com a intenção sempre voltada para o bem e a primeira ação é o pensamento positivo uma vez que um guia de luz como o nome diz, tende apenas a falar do bem, agir no bem, lembrando que há o livre-arbítrio e os mentores não podem intervir nesta liberdade particular de cada indivíduo. Como segunda (de mãos dadas com a primeira) ação, podemos citar o cultivo da fé. Acreditar no melhor, no amor, vibrar positivamente e lembrar que nada entre esse Céu e Terra é por acaso. Para não nos ligarmos a padrões desequilibrados se faz necessário consultar em nossa consciência como estamos agindo com o mundo lá fora.

As habilidades e conquistas específicas dos Mentores Espirituais variam muito de Espírito para Espírito. Porém, há uma unanimidade. Não existe Mentor Espiritual que não trabalhe muito e não existe evolução sem trabalho. Tal inferência remete-nos à frase que André Luiz utiliza para representar toda a obra “Nosso Lar”, a qual se encontra escrita na folha de rosto do referido livro: “Quando o Servidor está pronto, o serviço aparece”, que é uma espécie de paráfrase do conhecido ensino oriental “Quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece”. Vale lembrar-se de “O Livro dos Espíritos”: “Trabalho é toda ocupação útil”. (Nosso Lar.)

Na Umbanda os mentores se adaptam as características desta religião e atuam nos arquétipos de Velhos, caboclos, baianos, etc mas por trás dessa roupagem existem diversos espíritos com conhecimento e bagagem espiritual diferentes. Estes continuam em busca de progresso pois que esta é incessante e nunca demais.
Uma vez incorporados em seus médiuns inspiram bons pensamentos e a prática de boas atitudes. Consolam aos que os buscam, mas principalmente nos movem a buscar nossas próprias soluções sempre afim de colocarmos um ponto final em nossa negatividade no modo de pensar, agir, conduzir a vida.

Saravá.