— Aula 004 – 01.08.2015

O que vimos no Estudo 003?

 

Vimos que há no mínimo duas semelhanças entre Umbanda e Espiritismo que são as comunicações com os espíritos e a mediunidade;

Os fenômenos espíritas aconteceram em todas as épocas da Humanidade. No Velho Testamento, é possível observar casos de prática mediúnica, obsessão, curas, que naquela época talvez não foram tidas como fenômenos mas que hoje podemos compreender um pouco melhor se observarmos com o olhar sob a ótica espírita.

A palavra  Espiritismo foi cunhada por Hippolyte Léon-Denizard Rivail (Allan Kardec), o homem de Ciência.

Falamos sobre a análise das épocas, observando que cada uma delas deixou uma característica para nos estimular a querer conhecer o desconhecido.

Vimos as obras e suas intenções escritas por Kardec embasado em respostas dos Espíritos comunicantes:

1. O Livro dos Espíritos, 2. O Livro dos Médiuns, 3. O Evangelho Segundo o Espiritismo, 4. O Céu e o Inferno, 5. A Gênese, 6. Obras Póstumas (compilação de escritos do Codificador da Doutrina Espírita)

Falamos um pouco da chegada do Espiritismo ao Brasil, mais bem aceito devido a crença já adquirida nas rezas, benzimentos etc trazida pelo povo de nação africana. Bem aceito também pela população nobre incluindo o Deputado e Doutor (hoje das almas) Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti.

Observamos alguns escritos deixados pelo espírito André Luiz por intermédio do médium Chico Xavier onde observamos um pouco de sincretismo entre Espiritismo e Umbanda.

 

Catimbó, Jurema, Terecô, Magia, Feitiçaria, Bruxaria, Xamanismo, Erva, bebida e animal do Poder

A Umbanda e tantas outras influências

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É preciso separar o joio do trigo porém também é preciso identificar e depurar influências  valorizando tudo o que veio ao mundo como prática do bem, com intuito de acrescentar.

Catimbó

 

Religião Brasileira surgida no nordeste do Brasil.

Fusão entre cultura indígena e européia.

“A origem do termo catimbó é controversa, embora a maior parte dos pesquisadores afirme que deriva da língua tupi antiga, onde caa significa floresta e timbó refere-se a uma espécie de torpor que se assemelha à morte”

Fonte: wikipédia.com

Inicialmente a prática se dava ao pé de uma árvore  onde  os praticantes cultuavam a natureza com crucifixos, santos e demais elementos, pedras, copos de água etc.

Assim como nas religiões com influências africanas,  o Catimbó ou Culto a Jurema, também sofreu severas perseguições. Por este motivo incorporou a prática católica como uma forma de disfarçar seu culto.

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Os Juremeiros/Catimbozeiros acreditam que o transe provocado pelo uso da Jurema é a incorporação propriamente dita, de entidades consideradas Mestres da Jurema que habitam o Juremá, ou seja,  um Mundo mágico. Estes mestres passaram em terra e ao desencarnar, teriam sido levados a habitar este mundo, o que para nós Umbandistas pode-se interpretar como Aruanda.

 

A Erva Jurema

 

Antes de iniciar o ritual, os adeptos bebem a jurema que é considerada uma Erva de poder por justamente fazer com que o ser entre em transe. O ritual é composto de rezas, cantigas e danças usando um chocalho chamado de “maracá”

“O cabo da maracá simboliza o eterno masculino, a cabaça simboliza o eterno feminino e as sementes que tem dentro dela, simbolizam as forças da natureza, as estrelas do céu, a presença das divindades, dos espíritos e os desenhos em torno dela representam o encontro dessas forças de dentro pra fora, de fora pra dentro, o toque da maracá é considerado um toque de movimentação de energia, de força e de poder” (Alexandre Cumino)

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Diferente da Umbanda, no Catimbó as entidades atuam com neutralidade, não há direita e esquerda que é uma particularidade do culto Umbandista.

Catimbó/Linha da Jurema

Catimbó ou a Linha dos Mestres da Jurema, religião de pessoas simples,  que praticam como nós Umbandistas, o mediunismo.

o catimbozeiro – é um rezador, faz garrafadas, alguns entram em transe, outros não,  e esses são considerados os benzedeiros, o que lembra o ritual da Umbanda. O ritual é organizado tendo o altar colocado numa mesa. Nessa mesa tem alguns elementos que são importantes para o Catimbó. É comum ter alguma imagem, alguma estátua de Cristo ou de Maria ou de algum outro santo. Nessa mesa geralmente tem um rolo de fumo de corda, simbolizando a presença do fumo e o poder do fumo, tem algumas taças de copos que são chamados de príncipes ou princesas. Essas taças são consideradas as próprias firmezas das entidades do Catimbó, geralmente, está com água e pode ter alguma pedra dentro como a pedra de firmeza .

Geralmente, tem uma chave nessa mesa que é considerada a chave dos mistérios, a chave do sacrário, pode ter um terço, pode ter velas e a própria bebida da jurema.

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Terecô

 

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Religião Brasileira também conhecida como Tambor da mata nascida em solos maranhenses.

A história conta que esta religião teria nascido anos antes da abolição, por tempos também foi praticada em segredo.

Sua prática no lado positivo se dá através de curas espirituais por meios de conhecimentos indígenas e africanos.

É válido ressaltar que terecozeiros não denominam divindades como Orixás mas sim como Voduns.

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O Sacerdote

 

É o representante de uma religião, o Sacerdote é um pontífice, ou seja, ele é a ponte entre o mundo dos encarnados e o mundo espiritual, o Sacerdote é aquele que conduz, é, uma comunidade religiosa, o Sacerdote é alguém que foi preparado ou por um contato direto com a espiritualidade ou preparado por um outro Sacerdote que foi preparado por um outro Sacerdote que foi preparado por outro Sacerdote que se constitui uma linha, uma linhagem hierárquica de Sacerdotes. É o que acontece, por exemplo, na religião Católica, a gente tem o sacerdócio dentro de uma linhagem hierárquica que remonta Pedro. Então, Pedro preparou alguém, que preparou outro alguém, que preparou um outro alguém e que numa linhagem de Sacerdotes foram surgindo aquele Sacerdote deste ou aquele nível em que se classifica os Bispos, os Arcebispos, os Padres, no qual um Sacerdote prepara o outro sacerdote.

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O Feiticeiro e o Mago

 

Um Feiticeiro é alguém que possui um grande receituário, esse receituário a gente chama de feitiços que são como receitas de magia. O Feiticeiro é alguém que trabalha muito bem com combinação de elementos, que trabalha muito bem com bebidas, que trabalha muito bem com rezas, esse Feiticeiro pode ser também um benzedeiro, esse Feiticeiro é alguém que quando você o procura você diz “Ó, preciso de uma ajuda no campo da saúde, ou no campo profissional, nesta e nesta situação”, então, o Feiticeiro que é um técnico de manipulação de energia, ele vai ver se ele tem dentro do seu receituário e se ele é um bom Feiticeiro ele tem um enorme receituário, algo que sirva pra essa pessoa, esse é o Feiticeiro. Tem Feiticeiro que trabalha de forma ética, tem Feiticeiro que trabalha só fazendo o bem, tem Feiticeiro que trabalha só fazendo o mal e tem Feiticeiro que faz o que acha que deve: o bem, o mal ou o que pagarem pra ele. Por isso, dizer que alguém é Feiticeiro não quer dizer que ele é uma pessoa do mal, mas também não quer dizer que ele é uma pessoa do bem, quer dizer que ele é alguém que manipula forças, manipula energias, que pode ter ou não intervenção dos espíritos ou de divindades, o que importa é: esse Feiticeiro está sempre à frente, é ele que faz, é ele que realiza.

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Há Feiticeiros que entram em transe e há Feiticeiros que não entram em transe, o que difere o Feiticeiro de um Mago, de um praticante de magia é exatamente aquilo que difere uma pessoa que tem receitas de bolo de uma outra pessoa que é um confeiteiro. O confeiteiro conhece uma ciência de combinação dos elementos pra gerar ali um sabor e aquele que tem um monte de receitas de bolo é alguém que quando quer comer um bolo de chocolate tem algumas receitas, quando quer comer um bolo de coco tem várias outras receitas, quando quer comer um bolo de amendoim tem muitas outras receitas, então, ele tem várias receitas. Às vezes você tem uma pessoa que gosta de fazer bolo e tem uma quantidade tão grande de receitas que parece não fazer falta ele ser um confeiteiro, a questão é que o confeiteiro conhece a ciência, ele tem, ele conhece cada um dos elementos utilizados a fundo, esse é o Mago.

O que quer dizer o termo Bruxaria?

 

Bruxo é uma palavra que se tornou popular e popularizada para principalmente identificar as pessoas que foram queimadas na Santa Inquisição em que a igreja, a santa e madre igreja, quando identificava alguém que praticasse qualquer forma de religiosidade que não fosse a Católica, esse pessoa era chamado de “Bruxo” ou de “Bruxa”. Então, se fosse um benzedor, se fosse um curador, se fosse uma pessoa que trabalhasse com banhos e chás já era considerado Bruxo. E ali na região da Europa até a Grã-Bretanha antes do domínio Católico existia uma religião e uma cultura chamada “Celta” – lembra-se que a gente comentou sobre a cultura dos Celtas dizendo que Allan Kardec foi um druida, que é um Sacerdote Celta – Nessa cultura homens e mulheres eram iniciados na magia, e então, quando a igreja Católica chega, ela queima todos os praticantes de magia. Ela queima os praticantes de magia e os Feiticeiros e generaliza a todos com a palavra “Bruxo” e “Bruxa”. A tradição ali na região da Europa, da Inglaterra, da França até Alemanha foi mantida uma tradição, principalmente, pelas mulheres de manipulação de elementos e de rezas. Então, essas são as Bruxas, esses são os Bruxos. E a manipulação de elementos era feita, principalmente, na cozinha, por isso tem uma figura tradicional da bruxa mexendo o caldeirão.

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O caldeirão simboliza o universo e o que ela mexe no caldeirão são os elementos mágicos. A maioria desses elementos mágicos são temperos, são sementes, são aramos que se encontram ali na cozinha, por isso que se fala muito do caldeirão da Bruxa, da cozinha da Bruxa aonde a mulher faz uma grande magia, um poder dentro da cozinha que é um grande laboratório. Hoje existe um reviver, uma Neo-bruxaria, uma bruxaria moderna que é chamada de “Wicca”. Então, a Wicca é uma forma de reviver esses valores da cultura antiga, da antiga bruxaria, da antiga magia Celta, castrada pela igreja Católica colocando todos e todas na fogueira.

Xamanismo

 

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A palavra xamã tem sua raiz na Sibéria, vinda da palavra “saman”, aparentado com o termo sânscrito “sramana” que significa: inspirado pelos espíritos.

O xamã pode ser homem ou mulher.

O termo xamã foi adotado, pela antropologia, para se referir a pessoas de uma grande variedade de culturas não ocidentais, que antes eram conhecidas como : bruxo, feiticeiro, curandeiro, mago, mágico, vidente, sacerdote, pajé, homem da medicina, o terapeuta, o conselheiro, o contador de estórias, o líder espiritual e outros.

Fonte: http://www.xamanismo.com.br/Universo/SubUniverso1191052266

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Acredita-se que dentro de cada um de nós habita um animal, ou seja, eu na minha forma mais instintiva me comportaria como qual animal, existe uma força animal dentro de mim. Então, conta a história que no Xamanismo, o Xamã desdobra do corpo e plasma a forma de um animal, e este é conhecido como o seu animal de poder.

Mas o que é que isso tem a ver com Umbanda? será que tem alguma coisa a ver?

Por que é que tem Caboclo que se chama Caboclo Cobra Coral, Caboclo Águia Branca, Exu Pantera Negra, Exu Morcego, Exu Cobra Negra?

A águia tem ligação com Oxalá, as cobras e serpentes tem ligação com Oxumaré, as panteras e os felinos em geral tem ligação com Oxóssi, os cavalos tem ligação com Ogum, cachorro tem ligação com Omulú. E assim a gente pode entender também uma outra ligação dos animais de poder no universo da Umbanda, esses animais tem uma ligação com os Orixás também. Então, isso faz parte do universo do Xamanismo.

Santo Daime

 

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Erva/Bebida do Poder

 

. A folha de coca é uma planta sagrada nos Andes, é a folha da Deusa, da grande mãe, da “Pachamama” que é a mãe terra, na cultura Andina que é a cultura dos Incas e dos Maias;

Hoje nós vemos a industrialização química do princípio da coca por meio de uma droga que é a cocaína.

. O tabaco era de uso ritualístico para os índios;

Quando o europeu chegou no Brasil com a colonização das Américas, o europeu descobriu o fumo, o uso do tabaco. Levou isso pra Europa, industrializou e transformou num vício.

. A cana de açúcar também é considerado uma erva sagrada;

O Homem utiliza o álcool para deturpar seu estado de consciência trazendo tremendos malefícios ao organismo e ao corpo espiritual devido a má utilização de uma bebida do poder extraída de um vegetal .

 

“No momento em que você profana o sagrado, o resultado é dor”  Edmundo Pelizari

 

Autoria do Material de apoio utilizado no estudo: Alexandre Cumino/Rodrigo Queiroz.
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