— Aula 003 – 22.07.2015

Espiritismo e suas Influências na Umbanda

O que vimos no Estudo 002?

Vimos que há no mínimo duas semelhanças entre Umbanda e Candomblé que são os cultos a divindades e a mediunidade; Aprendemos que as divindades que para nós Umbandistas são os Orixás, tem sua origem nas forças da Natureza de Deus, mas culturalmente essas Divindades possuem sua origem no País África; Aprendemos o que são Cultos de Nação, cultos de nações africanas onde cada uma cultua a uma divindade. Vimos também que Exu é cultuado em todas as nações; Vimos o conceito de Sincretismo religioso, uma fusão de um ou mais cultos religiosos e vimos que o sincretismo entre os cultos de Nação no Brasil aconteceu com a religião católica devido a proibição dos cultos africanos. No Candomblé Baiano, não se trabalha com espírito. Estes espíritos são chamados de Eguns Mas, nessa tradição existe uma religião ainda na cultura Nagô Yorubá para trabalhar com Eguns, com os espíritos, chamada de Egungum Umbanda e Candomblé são religiões diferentes mas que certamente se cruzam no meio do caminho com algo em comum, como a mediunidade e o culto de Orixás.

Espiritismo e suas influências na Umbanda

Podemos observar duas semelhanças primordiais:

Comunicação com os espíritos
Comunicação com os espíritos
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E a mediunidade

Mas o que é Espiritismo?

Os fenômenos espíritas aconteceram em todas as épocas da Humanidade. No Velho Testamento, é possível observar casos de prática mediúnica, obsessão, curas, que naquela época talvez não foram tidas como fenômenos mas que hoje podemos compreender um pouco melhor se observarmos com o olhar sob a ótica espírita. A palavra Espiritismo foi cunhada por Hippolyte Léon-Denizard Rivail. Pedagogo, professor de matemática, física, química, astronomia, anatomia e francês. Léon Deni era um homem de ciências e era notória sua vontade de tentar entender e explicar o porque das coisas, do mundo, da vida. Escritor e tradutor foi autor de algumas obras na área da Pedagogia e por esse motivo resolveu adotar o pseudônimo “Allan Kardec“ Segundo sua Bibliografia (Marcel Souto Maior, pg. 77) o pseudônimo foi escolhido pois um espírito revelou-lhe que haviam vivido juntos entre os druidas, na Gália, e que então o Codificador se chamava “Allan Kardec“ Há relatos de que o Professor também adotara este pseudônimo para não sofrer qualquer violação a seus trabalhos acadêmicos por parte do Governo caso viesse a ser perseguido devido a nova vida que adotou naquele tempo.

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Em “Ligeira resposta aos detratores do Espiritismo”, inserto em Obras Póstumas, o Codificador houve por bem deixar para a nossa meditação esse trecho bastante significativo:

“O Espiritismo é uma doutrina filosófica de efeitos religiosos, como qualquer filosofia espiritualista, pelo que forçosamente vai ter às bases fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma e a vida futura. Mas não é uma religião constituída, visto que não tem culto, nem rito, nem templos e que, entre seus adeptos, nenhum tomou, nem recebeu o título de sacerdote ou de sumo-sacerdote.“ Na Revue Spirite, 1864, p. 199, escreveu Allan Kardec: “Quem primeiro proclamou que o Espiritismo era uma religião nova, com seu culto e seus sacerdotes, senão o clero? Onde se viu, até o presente, o culto e os sacerdotes do Espiritismo? Se algum dia ele se tornar uma religião, o clero é quem o terá provocado.”

(Allan Kardec – Pesquisa Bibliográfica e Ensaios de Interpretação – Zeus Vantuil e Francisco Thiesen – FEB)

Analisando as épocas, podemos observas que cada uma delas deixou uma característica para nos estimular a querer conhecer o desconhecido. Podemos dizer que o fenômeno das mesas girantes (Irmãs Fox, EUA – 1850) ocorreu propositalmente para estimular a curiosidade científica da época para então fundamentar o Espiritismo? Para Kardec, o pedagogo, isso era força eletromagnética devido ao agrupamento de vários corpos que reunidos formavam uma grande força capaz de dar movimento aos objetos. Porém, alguns anos mais tarde convidado a participar de uma reunião onde mesas não só giravam como respondiam com pancadas aos questionamentos dos presentes, Rival verificou que a resposta dada anteriormente havia perdido quase que completamente o seu sentido pois ele ficou realmente impressionado com o que presenciou. Ele presenciou que haviam respostas que faziam parte apenas do intimo de alguns participantes. Se deu conta então de que a realidade da matéria não é a única existente; Notou que os espíritos eram reais; Durante 20 meses, o professor dedicou as horas vagas a entrevistar dez diferentes espíritos, principalmente por intermédio de três garotas, Ruth Japhet, de 20 anos (que havia enchido 50 cadernos com mensagens dos espíritos), e as irmãs Julie e Caroline Baudin, de 14 e 16 anos. Fazia a elas perguntas como “Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?” e “O que é espírito?” Na casa dos Boudin, na Rue Rochechouart, ele se apresentava todas as terças-feiras, com novas perguntas, ou as mesmas, para cruzar e checar as respostas. Ele não tinha mediunidade – aliás, foi o professor quem cunhou o termo “médium” para definir os intermediários entre os espíritos os seres humanos.

Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/allan-kardec-espiritismo-religiao-bem-brasileira-806044.shtml

Da Metodologia a Codificação

Com esse apanhado de perguntas e respostas, Kardec deu início a obra espírita que se apresenta da seguinte forma:

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Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/allan-kardec-espiritismo-religiao-bem-brasileira-806044.shtml 1

Em 1º de abril de 1858, reuniu as dezenas de seguidores que havia arregimentado com a publicação do livro e fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Enquanto recebia visitas de médiuns, mais ou menos sérios, cartas pedindo ajuda e textos psicografados, novas traduções e edições eram publicadas. Na Espanha, o bispo de Barcelona, Antônio Palau y Termens, mandou confiscar todos os exemplares de O Livro dos Espíritos e organizou um auto de fé: as obras foram empilhadas e queimadas em praça pública. Em 1864, a Igreja Católica inseriu a obra no Index Librorum Prohibitorum, a lista de livros proibidos para seus fiéis. Teologia de Umbanda – Templo de Caridade Mamãe Iemanjá Da Metodologia a Codificação.

Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/allan-kardec-espiritismo-religiao-bem-brasileira-806044.shtml

Depois de publicar uma segunda edição de O Livro dos Espíritos, bastante ampliada, e outros quatro livros, Kardec faleceu, aos 64 anos, por volta das 11h de 31 de março de 1869, quando um aneurisma se rompeu. Na época, ele trabalhava numa obra sobre as relações entre o magnetismo e o espiritismo. Os restos de Kardec estão no Cemitério PèreLachaise. Na lápide, ficou gravado seu novo nome, e não Rivail, e seu lema: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar. Esta é a lei.”

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Ciência ou religião?

Embora na Europa hoje o kardecismo seja tratado como pseudoreligião, no Brasil o seu aspecto religioso foi vencedor:

 √ População Cristã acostumada com benzimentos, rezadeiras;

√ Ciência e Filosofia para população Brasileira não tem a mesma força motivadora quanto a religiosidade;

√ Importantes peças aderiram a codificação, incorporando o movimento e tratando-o como religião. Um deles foi o ex-deputado, Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti.

“Deu-mo na cidade e eu morava na Tijuca, a uma hora de viagem de bonde. Embarquei com o livro e, como não tinha distração para a longa viagem, disse comigo: ora, Deus! Não hei de ir para o inferno por ler isto… Depois, é ridículo confessar-me ignorante desta filosofia, quando tenho estudado todas as escolas filosóficas. Pensando assim, abri o livro e prendi-me a ele, como acontecera com a Bíblia. Lia. Mas não encontrava nada que fosse novo para meu Espírito. Entretanto, tudo aquilo era novo para mim!… Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no ‘O Livro dos Espíritos’. Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era espírita inconsciente, ou, mesmo como se diz vulgarmente, de nascença.” Segundo entrevista realizada em 1892 pela Federação Espírita Brasileira e publicada no periódico O Reformador.

Disponível em: Bezerra de Menezes é entrevistado Correio Fraterno. Visitado em 13.06.2015

A Federação Espírita do Brasil, criada em 1884 pelo fotógrafo português Augusto Elias da Silva, seria presidida duas vezes pelo doutor Bezerra.

Os poetas Castro Alves e Augusto dos Anjos, de um lado, se aproximaram da nova religião. Já José de Alencar e Machado de Assis a atacavam – mas só depois de se darem ao trabalho de conhecê-la. Augusto dos Anjos foi o mais empolgado: em sua cidade, Engenho do Pau D’Arco, Paraíba, ele conduzia sessões, recebia espíritos e psicografava. Quando Chico Xavier nasceu, em 1910, o hábito de receber romances do além já era disseminado e se tornaria uma das marcas da nova religião, que, para muitos, já tinha muito pouco a ver com o que Kardec havia imaginado.

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Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/allan-kardec-espiritismo-religiao-bem-brasileira-806044.shtml

Na literatura Espírita

Da série “Nosso Lar” – Espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier:

Título Ação e Reação, (pg. 62): De súbito, um companheiro de alto porte e rude aspecto apareceu e saudou-nos da diminuta cancela, que nos separava do limiar, abrindo-nos passagem. Silas no-lo apresentou, alegremente. Era Orzil, um dos guardas da mansão, em serviço nas sombras. A breves instantes, achávamo-nos na intimidade de pouso tépido. Aos ralhos do guardião dois dos seis grandes cães acomodaram-se junto de nós, deitando-se-nos aos pés. Orzil era de constituição agigantada, figurando-se-nos um urso em forma humana. No espelho dos olhos límpidos mostrava sinceridade e devotamento. Tive a nítida ideia de que éramos defrontados por um penitenciário confesso, a caminho da segura regeneração.

Título Nos Domínios da Mediunidade (pg.251): Apenas o irmão Cássio, um guardião simpático e amigo, de quem o assistente nos aproximou, demonstrava superioridade moral.

“Podemos encontrar muitas outras referências em outros títulos espíritas, para não nos alongarmos na questão cito apenas um título do autor espiritual J.R.Rochester, que se é polêmico no entanto tornou-se um clássico, Os Magos (Ed. Boa Nova). Nessa obra encontramos um certo “Abin-ari”, espírito sem luz que vive de retirar de nosso meio os espíritos rebeldes e “larvais” que se voltam contra a humanidade, e para tal ele usa como ferramenta um tridente. O mais curioso é que esse livro foi psicografado na Rússia no final do século XIX, pouco antes de surgir a Umbanda no Brasil”. (Alexandre Cumino)

Há um sincretismo entre Umbanda e Espiritismo?

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