— Aula 002 – 30.05.2015

Religião de Candomblé e suas Influências na Umbanda

Duas semelhanças mínimas, que são: Mediunidade e o culto e crença nas divindades.

O termo “candomblé” é uma junção do termo quimbundo candombe (dança com atabaques) com o termo iorubá ilé ou ilê (casa): significa, portanto, “casa da dança com atabaques”

(Fonte: http://pt.wikipedia.org/)
O kimbundu, quimbundodongo, kindongo, loanda, mbundu, loande, luanda, lunda, mbundu, n’bundo, nbundu, ndongo ou mbundu do norte é uma língua africana falada no noroeste de Angola, incluindo a Província de Luanda. É uma das línguas bantas mais faladas em Angola, onde é uma das línguas nacionais. O português tem muitos empréstimos lexicais desta língua obtidos durante a colonização portuguesa do território angolano e através dos escravos angolanos levados para o Brasil. É falada por cerca de 3 000 000 de pessoas em Angola como primeira ou segunda língua, considerando, também, 41 000 falantes do dialecto ngola

Iorubá é uma língua nigero-congolesa do grupo linguístico benue-congo, falada pelos iorubás

(Fonte: http://pt.wikipedia.org/)

Embora sejam duas religiões diferentes, precisamos adentrar um pouco na história do Candomblé. Compreender parte de seus cultos a divindades provenientes dos Cultos de Nações africanas.

Lembrando que estudando nossa religião de Umbanda, ou seja, pensando teologicamente nela, essas divindades tem sua origem nas forças da Natureza de Deus, mas  em questões culturais essas Divindades possuem sua origem no País África e por trás disso existe uma Mitologia, aliás várias mitologias africanas assim como existe a Mitologia grega, romana, maia, persa etc.

Os mitos são, geralmente, histórias baseadas em tradições e lendas feitas para explicar o universo, a criação do mundo, fenômenos naturais e qualquer outra coisa a que explicações simples não são atribuíveis. Mas nem todos os mitos têm esse propósito explicativo. Em comum, a maioria dos mitos envolvem uma força sobrenatural ou uma divindade, mas alguns são apenas lendas passadas oralmente de geração em geração.
Figuras mitológicas são proeminentes na maioria das religiões e a maior parte das mitologias estão atadas a pelo menos uma religião. Alguns usam a palavra mito e mitologia para desacreditar as histórias de uma ou mais religiões.
(Fonte: http://pt.wikipedia.org/)

São muitas as mitologias africanas, e muitas religiões locais que existem até hoje.

Das religiões africanas mais vistas em nosso país e oriundas da diáspora africana, a dos orixás é a mais difundida.

Temos no Brasil o candomblé ketu e de várias nações, Xangô do Nordeste, Tambor de Mina, Terecô, batuque, xambá, omolokô e outras. O que a todas é comum é o ritual aos Nkisis, orixás e voduns: o que “muda” entre elas é a forma de cultuar suas divindades.

Diáspora é um substantivo feminino com origem no termo grego “diasporá”, que significa dispersão de povos, por motivos políticos ou religiosos. (Fonte: http://www.significados.com.br/diaspora/

Nkisis, Voduns, Orixás? O que é isso ?

De norte ao Sul da África existem diversas mitologias e cada nação possui uma forma particular de denominar suas divindades, por exemplo:

  •  Nação Daomeanos, cultuam e entram em transe com Vodun;
  •  Nação Bantu, cultuam e entram em transe com  Nkisi;
  •  Nação Ketu, cultuam e entram em transe com Orixá.
Voduns
Voduns
Orixás
Orixás
Nkisis
Nkisis

Orixá vem do Iorubá Òrìsà que quer dizer ser sobre-humano sendo segundo a mitologia, ancestrais que alcançaram o patamar de divindades. Conta a história do povo Iorubá que os Orixás  possuem traços semelhantes aos humanos, como sentimentos por exemplo.

Essa mesma mitologia nos conta que há mais de 500 Orixás divididos em classes onde uns pertencem ao Orun (que significa céu) e a Ayê (que significa Terra)

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Em diversas cidades da África ainda há cultos de Nação que nada mais são que divisões por etnias cultuando tais divindades.

Antigamente a África era dividida apenas culturalmente e muito de sua religiosidade vem através dos séculos sendo transmitida em maioria oralmente.

Culturas africanas, país, dialeto, divindades

Ainda na África, observa-se que já havia uma forma de sincretismo religioso.

Por exemplo:

Cultura Nagô

(Nigéria/ Nação Nagô com o dialeto Iorubá cultuando Orixás).

Cultura Jeje

(Benin/ Nação Jeje com dialeto Fon cultuando Voduns).

Cultura Angolana

(Angola/ Nação Bantu/Cabinda com dialeto Kimbundo cultuando Nkisis).

Cultura do Congo

(Congo/ Nação Bantu com dialeto Kikongo cultuando Tátas e Yayas)

Sincretismo Religioso

Absorção, fusão, congregação de um sistema de crenças.

E por qual motivo podemos dizer que no Brasil houve um sincretismo religioso?

O Povo africano trazido de seu país de Origem a força, foi proibido pelos Senhores do Engenho e pela Igreja Católica de cultuar suas divindades. Por isso, houve um sincretismo religioso com a religião católica sendo esta a religião imposta no Brasil.

A Religiosidade sempre teve um peso significativo para o povo Africano e foi desta maneira que eles conseguiram cultuar seus orixás, voduns ou nkisis, fazendo uma relação com os Santos Católicos.

Exú – Santo Antônio.

Omolú – São Roque ou S. Lázaro.

Ogum – São Jorge em uns locais e Santo Antônio em outros.

Yemanjá – Nossa Senhora dos Navegantes.

Oxum – Nossa Senhora da Conceição.

Xangô – São Jerônimo, São João Batista e São Miguel Arcanjo. Em alguns lugares – São Pedro.

Oxóssi – São Sebastião e São Jorge.

Iansã – Santa Bárbara.

Ibeji – São Cosme e Damião.

Obá – Santa Rita de Cássia e Joana D’Arc.

Nanã – Santa Ana.

Oxumarê – São Bartolomeu.

Oxalá – Jesus Cristo e Nosso Senhor do Bonfim.

O Povo Nagô e suas diversas nuances

Cada pequeno grupo ou cidades inteiras cultuavam os Orixás mas cada nação Nagô adorava um Orixá diferente.

O Povo Nagô considera Ilê Ifé, a cidade Santa  pois acreditam que dali foi o ponto de partida para criação do mundo e dos homens que habitam a terra. Portanto em Ilê Ifé há o culto ao Orixá Oxalá.

A nação de Ketu cultua Oxóssi. A nação de Oyó , culto a Xangô e Iansã. A nação de Ijexá cultua Oxum, a nação de Irê possui o culto de Ogum.

Somente Exu é cultuado em todas as nações.

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No Iorubá Deus se chama Olorum.

Em Angola o dialeto é o Kimbundo, onde Deus se chama Zambi e as divindades são Nkisis e não Orixás…

Na cultura Jeje há um dialeto chamado Fon…

Deus é conhecido como Mawu e as divindades são conhecidas como Voduns.

São muitas informações, não é mesmo? Um turbilhão cultural. Uma enorme e variada quantidade de histórias de um povo que nos ensinou e continua a ensinar muitas coisas. Uma cultura linda que deve e merece ser respeitada.

Navio negreiro no fundo do mar

National Museum of American History
National Museum of American History

Toda uma riqueza cultural, religiosa,  mitologias etc retiradas a força de seu espaço original e levadas a diversas partes do mundo.

Vale ressaltar que o País África já vivia em Guerra antes do Europeu chegar. Já era de costume fazer escravos entre os povos daquele país.

Um grande acordo entre a Igreja Católica,  mais precisamente entre Jesuítas e Reino Português decidiu que a mão escrava indígena já não era suficiente pois era difícil escravizar o povo que conhecia muito melhor essa terra do que aqueles que vieram colonizar.

Interesse de mão de obra forte por parte do Reino de Portugal, interesse de venda de escravos sobrevivente de tribos rivais nos Reinos Africanos…

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O Brasil recebeu escravos de todas as Nações

Por isso que na Bahia predomina uma cultura religiosa afro-brasileira chamada Candomblé, especificamente no segmento de nação Ketu que quer dizer que da África vieram muito mais escravos da cultura Nagô que fala Iorubá.

“No Maranhão predominou a cultura Jeje que fala o Fon, surgindo o Tambor de Mina que é religião de VodunsNo Rio predominou a vinda do povo de Angola que fez surgir uma religiosidade chamada Macumba, que é o nome de uma madeira, Macumba é o nome de uma árvore, Macumba é o nome de um instrumento de percussão, de uma dança, mas Macumba era o nome, era o nome da religiosidade afro-brasileira no Rio de Janeiro influenciada pela cultura Angola Congo. Era o Candomblé, mas a palavra assumiu algo tão pejorativo, mas tão pejorativo que ninguém mais aceita dizer que a sua religião é a Macumba, passou a ser chamado de Candomblé de Angola, passou a ser chamado de Candomblé de Caboclo, essa religiosidade mais Angolana de fato ou com influência do Congo que é uma religiosidade mais livre, um pouco mais solta do que o Candomblé Baiano que é mais fechado, mais exclusivo.” (Alexandre Cumino)

Termos como “nagôs”, “jejes”, “angolas”, “congos” e “fulas” representavam identidades étnicas criadas pelo tráfico de escravos, onde cada termo continha um leque de tribos escravizadas de cada região.

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Já ao final do tempo de escravidão, o Império de Portugal (E a Igreja) libertou os escravos nos dias de domingo para que relembrassem de suas culturas, suas danças e cantos.

Uma vez inimigas no País de origem, agora se fortificam longe de casa, na condição de escravos porém libertos a cultuar não só a um Orixá, mas a todos e um só canto em seus quilombos, com suas curimbas e com sua fé, formando assim uma grande Nação.

Assim nasceu a religiosidade Afro-Brasileira.

Mas, só há culto a divindade na África?

Hinduísmo

O hinduísmo na África é relativamente recente, em comparação com a história do Islã, o Cristianismo ou Judaísmo.

Islã

Islã tem adeptos em toda a África. É a religião predominante na África do Norte, e também predominante na África Ocidental (sobretudo na Costa do Marfim, Gana norte, sudoeste e norte da Nigéria), no Nordeste de África e ao longo da costa da África Oriental.

Religião tradicional

A tradicional religião africana engloba uma grande variedade de crenças tradicionais. Tradicionais costumes religiosos são, por vezes, partilhados por muitos Africanos, mas são geralmente exclusivo para grupos étnicos específicos. Muitos Africanos cristãos e muçulmanos mantêm alguns aspectos de suas religiões tradicionais.

Outras religiões

Outras religiões são praticadas na África, incluindo o zoroastrismo, rastafarianismo, raelianismo, wicca, druidismo, e Nova Era.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/

Muitos escravos que chegaram ao Brasil eram Muçulmanos. Eram sábios, sabiam ler, escrever e quase não eram de conversa.

Eram os preferidos pelos Senhores do Engenho, quase sempre escolhidos para atuar como Capitão Mato, ou seja, aquele escravo que atua como o vigia dos demais escravos. O escravo muçulmano assim como os demais desta religião, rezavam voltado para Meca, 5 vezes ao dia. Este escravo era chamado de “Mandinga” que vem do termo mandingos em Português (do dialeto mandingo: Mandinka)

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Esse Mandinga, Capitão do Mato costumava andar com um pequeno texto do Alcorão pendurado no pescoço. Sob forte influência de sua cultura africana, costumava também por junto ao texto sagrado uma erva. Esse conjunto era chamado por outros grupos étnicos africanos de Patuá.

Quando um escravo tinha o intento de fugir de seu local de escravidão, ele se disfarçava de mandinga, usava turbantes e carregava um patuá porém quando deparava com um verdadeiro mandinga era pedido que o fugitivo recitasse partes do Alcorão, o que não acontecia.

Daí surgiu a expressão “Quem não aguenta com mandinga, não carrega Patuá”

Segundo Getúlio César, em seu interessante trabalho “Crendices: suas origens e classificação”, o termo patuá é de origem indígena, é a modificação da palavra pitiguá – bolsa trançada de folha de palmeira que os índios conduzem a tiracolo, designando ainda saquinho de couro, de fibra, onde se conduzem pequenos haveres.

Influências dos Cultos de Nação

No Candomblé Baiano, não se trabalha com espírito. Estes espíritos são chamados de Eguns

Mas, nessa tradição existe uma religião ainda na cultura Nagô Yorubá para trabalhar com Eguns, com os espíritos, chamada de Egungum

Orixás tem uma origem cultural Africana, mas tem uma origem Teológica em Deus.

Na Umbanda tratamos a questão Orixás de uma forma diferente, tratamos como forças da Natureza provindas de Deus.

Umbanda e Candomblé são religiões diferentes mas que certamente se cruzam no meio do caminho com algo em comum, como a mediunidade e o culto de Orixás.

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Mojubá Origem e Fé Programa 001 Vídeo apresentado na Aula 002 Fonte: Tv Cultura
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