Aula 001 – 25.04.2015

O que é religião ?

Um reencontro com Deus.

O termo Religião vem do termo latim religare nos trazendo o sentido de religar-se com Deus.

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O segundo ponto de partida para compreensão em torno do que é religião é lembrarmos de suas múltiplas variedades e por isso recordarmos que

Deus esta em todos os momentos em todos os lugares, mesmo que mude suas falas, o que importa é a fé que carregamos dentro de nós. E por este motivo é preciso internalizar e respeitar a diversidade religiosa.

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As religiões em geral nos contam sobre um homem Paradisíaco mas que pelo seu Livre Arbítrio começou a faltar à ordem que Deus havia criado, perdendo esse estado superior de consciência, dando início à degeneração e a perda do conhecimento que havia adquirido, perdendo o paraíso, o estado de felicidade.

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Temos comprovações no decorrer da evolução humana que o homem desde o tempo primitivo era um homem religioso, pois estes deixaram registros de seus cultos ao Sol, a chuva e tantos outros. Por ser a religião algo extremamento difícil de se discutir se faz necessário compreendermos pelo menos um pouco daquilo que está mais próximo a nossa realidade enquanto encarnado, e por isso é válido lembrar de um tempo chamado o século das luzes, denominado desta maneira no século XVIII pelos próprios escritores da época. Esse período que durou até a revolução Francesa em 1789 chamava-se Iluminismo mais parecido com um período sem luz para nós enquanto religiosos pois nesse período houve a eclosão da razão, do avanço da ciência, diminuição nas crenças, na fé, ataque árduo a Igreja.

Passada a revolução Francesa, entramos em um mundo de pensamento moderno onde o homem ainda mais racional continua a negar o valor da religião. Já no século XIX um homem chamado Augusto Conte introduz um movimento chamado Positivismo alegando que todo valor religioso seria substituído pelo valor científico sendo a ciência a resposta futura para tudo aquilo que o homem não consegue explicar.

Nesse mesmo segmento muitos outros cientistas declararam seus apontamentos para o fim do teor religioso ao homem, Freud, Nietzsche, Karl Marx e outros. E da mesma forma que existiam os que negavam o valor religioso para o homem, também tivemos aqueles que se opuseram ao movimento como o Psiquiatra e pensador Suiço Jung, que respondeu ao pensamento de Freud que afirmava que a religião seria um tipo de ilusão. Jung se contrapôs da seguinte forma:

“O conflito surgido entre ciência e religião no fundo não passa de um mal-entendido entre as duas. O materialismo científico introduziu apenas uma nova hipótese, e isso constitui um pecado intelectual. Ele deu um nome novo ao princípio supremo da realidade, pensando, com isso, haver criado algo de novo e destruído algo de antigo. Designar o princípio do ser como Deus, matéria, energia, ou o quer que seja, nada cria de novo. Troca-se apenas de símbolo.” (Carl Gustav Jung)

Émile Durkheim, pai da Sociologia em seu livro As Formas Elementares de Vida Religiosa diz:

Não há, pois, no fundo, religiões que sejam falsas. Todas são verdadeiras à sua maneira: todas respondem, ainda que de maneiras diferentes, a determinadas condições da vida humana […].
A conclusão geral deste livro é que a religião é coisa eminentemente social […]

É possível percebermos que discutir religião, negá-la ou exaltá-la é um costume antigo e nosso intento não é discutir a mesma mas sim ficar com o primeiro conceito apresentado, religião é religar-se com o sagrado, com Deus e respeitarmos as demais.

Cada religião possui a sua maneira de celebrar, cultuar mas percebemos uma relação, ou seja, uma semelhança. Por exemplo:

1. Adorar a Cristo

Na Umbanda e em outras religiões, adora-se a Jesus de Nazaré, mas em outras religiões não exatamente apenas no Egito, o povo cultua outrou Cristo que é Osíris, na Índia e em outros lugares, existe um povo que cultua a Krishna como Cristo.

Cristo é o termo  português para traduzir a palavra grega Χριστός (Khristós) que significa “Ungido”. O termo grego, por sua vez, é uma tradução do termo hebraico (Māšîaḥ), traduzido para o português como Messias. (Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre)

2. As religiões falam sobre o Céu e o Inferno

Na umbanda nos referimos aos Umbrais e as dimensões evoluídas, outras religiões falam sobre o Paraíso.

3. As religiões se referem a uma Trindade

Na umbanda e em outras religiões, O Pai, o Filho e o Espírito Santo. Para o povo Egípcio, Horus – Osíris – Isis. Para o povo Hindu, Brahma – Vishnu – Shiva

4. As religiões possuem um livro sagrado

Na Umbanda utilizamos o Evangelho segundo o espiritismo codificado por Allan Kardec, por vezes também lemos a palavra da Bíblia. Mas existem outros livros sagrados de outras religiões como o Alcorão, Bhagavah Gita, Pistis Sophia, Sutra sagrada, etc.

Porque estudar Teologia de Umbanda ?

A palavra Teologia vem do grego (Théos + Logos) em que:

 Théos = Deus ou Divindade

Logos = Palavra ou Estudo.

Teologia  =  Ciência que trata de Deus, seus atributos e perfeições, bem como suas relações com os homens.

Quando um religioso pensa sobre sua religião está pensando teologicamente, sua reflexão é teológica e suas conclusões são de conteúdo teológico, desta forma se produz teologia. Racionalizar, pensar, refletir e expressar a religião partindo de dentro da mesma é sempre teologia. Cada religião tem a sua teologia e muito mais do que isso há formas diversas de pensar teologias ou seja muitas teologias e múltiplas opções de pensar uma mesma religião por exemplo. (Alexandre Cumino)

A Umbanda

Umbanda é uma religião fundada no dia 15 de novembro de 1908 pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas e ele a define como:

 “Manifestação do espírito para a prática da caridade…”

Mas de onde surgiu essa religião ? Quem a difundiu? Como ela chegou até nós ?

No final de 1908, Zélio Fernandino de Moraes, um jovem rapaz com 17 anos de idade, que preparava-se para ingressar na carreira militar na Marinha, começou a sofrer estranhos “ataques”. Sua família, conhecida e tradicional na cidade de Neves, estado do Rio de Janeiro, foi pega de surpresa pelos acontecimentos.

Esses “ataques” do rapaz, eram caracterizados por posturas de um velho, falando coisas sem sentido e desconexas, como se fosse outra pessoa que havia vivido em outra época. Muitas vezes assumia uma forma que parecia a de um felino lépido e desembaraçado que mostrava conhecer muitas coisas da natureza.

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Após examiná-lo durante vários dias, o médico da família recomendou que seria melhor encaminhá-lo a um padre, pois o médico (que era tio do paciente), dizia que a loucura do rapaz não se enquadrava em nada que ele havia conhecido. Acreditava mais, era que o menino estava endemoniado.

Alguém da família sugeriu que “isso era coisa de espiritismo” e que era melhor levá-lo à Federação Espírita de Niterói, presidida na época por José de Souza. No dia 15 de novembro, o jovem Zélio foi convidado a participar da sessão, tomando um lugar à mesa.

Tomado por uma força estranha e alheia a sua vontade, e contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer dos componentes da mesa, Zélio levantou-se e disse: “Aqui está faltando uma flor”. Saiu da sala indo ao jardim e voltando após com uma flor, que colocou no centro da mesa. Essa atitude causou um enorme tumulto entre os presentes. Restabelecidos os trabalhos, manifestaram-se nos médiuns kardecistas espíritos que se diziam pretos escravos e índios.

O diretor dos trabalhos achou tudo aquilo um absurdo e advertiu-os com aspereza, citando o “seu atraso espiritual” e convidando-os a se retirarem.

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Após esse incidente, novamente uma força estranha tomou o jovem Zélio e através dele falou: _“Porque repelem a presença desses espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens. Será por causa de suas origens sociais e da cor ?”

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Seguiu-se um diálogo acalorado, e os responsáveis pela sessão procuravam doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que desenvolvia uma argumentação segura.

Um médium vidente perguntou: _”Por quê o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram, quando encarnados, são claramente atrasados? Por quê fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome irmão?

“Se querem um nome, que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim, não haverá caminhos fechados.”

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_“O que você vê em mim, são restos de uma existência anterior. Fui padre e o meu nome era Gabriel Malagrida. Acusado de bruxaria, fui sacrificado na fogueira da Inquisição em Lisboa, no ano de 1761. Mas em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como caboclo brasileiro.”

Anunciou também o tipo de missão que trazia do Astral:

_”Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã (16 de novembro) estarei na casa de meu aparelho, às 20 horas, para dar início a um culto em que estes irmãos poderão dar suas mensagens e, assim, cumprir missão que o Plano Espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados.”

O vidente retrucou: _”Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto” ? perguntou com ironia.

_”Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei”.

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No dia seguinte, na casa da família Moraes, na rua Floriano Peixoto, número 30, ao se aproximar a hora marcada, 20:00 h, lá já estavam reunidos os membros da Federação Espírita para comprovarem a veracidade do que fora declarado na véspera; estavam os parentes mais próximos, amigos, vizinhos e, do lado de fora, uma multidão de desconhecidos.

Às 20:00 h, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Declarou que naquele momento se iniciava um novo culto, em que os espíritos de velhos africanos que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de atuação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas em sua totalidade para os trabalhos de feitiçaria; e os índios nativos de nossa terra, poderiam trabalhar em benefício de seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social.

A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica principal deste culto, que teria por base o Evangelho de Jesus.

Nesse mesmo dia incorporou um preto velho chamado Pai Antônio, aquele que, com fala mansa, foi confundido como loucura de seu aparelho e com palavras de muita sabedoria e humildade e com timidez aparente, recusava-se a sentar-se junto com os presentes à mesa dizendo as seguintes palavras:

“_ Nêgo num senta não meu sinhô, nêgo fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco e nêgo deve arrespeitá.”

Após insistência dos presentes fala:

“_Num carece preocupá não. Nêgo fica no toco que é lugá di nego.“

Assim, continuou dizendo outras palavras representando a sua humildade. Uma pessoa na reunião pergunta se ele sentia falta de alguma coisa que tinha deixado na terra e ele responde:

“_Minha caximba. Nêgo qué o pito que deixou no toco. Manda mureque busca.”

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Tal afirmativa deixou os presentes perplexos, os quais estavam presenciando a solicitação do primeiro elemento de trabalho para esta religião. Foi Pai Antonio também a primeira entidade a solicitar uma guia, até hoje usadas pelos membros.

O Caboclo estabeleceu as normas em que se processaria o culto. Sessões, assim seriam chamados os períodos de trabalho espiritual, diárias, das 20:00 às 22:00 h; os participantes estariam uniformizados de branco e o atendimento seria gratuito. Deu, também, o nome do Movimento Religioso que se iniciava:

UMBANDA – Manifestação do Espírito para a Caridade.

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A Casa de trabalhos espirituais que ora se fundava, recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque assim como Maria acolheu o filho nos braços, também seriam acolhidos como filhos todos os que necessitassem de ajuda ou de conforto.

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