Eu vou chamar Vovô, eu vou chamar Vovó!

pretos-velhos6KT[1]

Salve a linha de trabalho dos Pretos e Pretas Velhas de Umbanda, arquétipo adotado pelos espíritos para trazer aos nossos olhos os ensinamentos sobre humildade, paciência, resignação entre tantas outras coisas. Em especial a nos ensinar a frear nossos impulsos, a falar menos e ouvir mais. Nos ensinam a  não esquecer a gratidão que devemos ter por Deus que nos concedeu o dom da vida, na exata posição que estamos neste mundo de provas e expiações, nos lugares, momentos e com as pessoas certas. Nos ensinam a refletir sobre nossas vaidades e egoísmo. Nos ensinam com o seu andar calmo, com seu falar suave, com olhar que tudo diz. Com seus sorrisos e com suas lágrimas.

Nosso agradecimento aos trabalhadores da última hora! Saravá Vovó Joana, Vovô Pedro, Vó Cabinda, Pai Joaquim, Vovô Cipriano das almas. Vovó Maria Conga, Pai João de Angola, de Aruanda, das Almas e do Togo. Vovó Catarina, Pai Mané, Pai José, Pai Francisco. Vovó Maria da Bahia, Pai Benedito.

Salve todas as bandas!

Que Deus abençoe e nos guia junto a nossos amigos rumo a nossa eterna evolução.

 Templo de Caridade Mamãe Iemanjá

“AS SETE LÁGRIMAS… DE PAI PRETO”

Foi uma noite estranha aquela noite queda; estranhas vibrações afins  penetravam meu Ser Mental e o faziam ansiado por algo, que pouco a pouco se  fazia definir…

Era um quê desconhecido, mas sentia-o, como se estivesse em comunhão com  minha alma e externava a sensação de um silencioso pranto…

Quem do mundo Astral emocionava assim um pobre “eu”? Não o soube, até  adormecer…e “sonhar”…

Vi meu “duplo” transportar-se, atraído por cânticos que falavam de Aruanda,  Estrela Guia e Zambi; eram as vozes da Senhora da Luz Velada, dessa Umbanda  de Todos Nós que chamavam seus filhos-de-fé…

E fui visitando Cabanas e Tendas, onde multidões desfilavam…

Mas, surpreso  ficava, com aquela “visão” que em cada uma eu “via”, invariavelmente, num  canto, pitando, um triste Pai-preto chorava.

De seus “olhos” molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces, e não  sei por que, contei-as… foram sete.

Na incontida vontade de saber, aproximei-me  e interroguei-o: fala, Pai-preto, diz a teu filho, por que externas assim uma tão  visível dor?

E Ele, suave, respondeu: estás vendo essa multidão que entra e sai?

As  lágrimas contadas, distribuídas, estão dentro dela…

A primeira eu a dei a esses indiferentes que aqui vêm em busca de distração,  na curiosidade de ver, bisbilhotar, para saírem ironizando daquilo que sua mente  ofuscada não pode conceber.

Outra, a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na  expectativa de um “milagre” que os façam “alcançar” aquilo que seus próprios  merecimentos negam.

E mais outra foi para esses que crêem, porém, numa crença cega, escrava de  seus interesses estreitos. São os que vivem eternamente tratando de “casos”  nascentes uns após outros…

E outras mais que distribui aos maus, aqueles que somente procuram a  Umbanda em busca de vingança, desejam sempre prejudicar a um ser  semelhante – eles pensam que nós, os Guias, somos veículos de suas mazelas,  paixões, e temos obrigação de fazer o que pedem… pobres almas, que das brumas  ainda não saíram.

Assim, vai lembrando bem, a quinta lágrima foi diretamente aos frios e  calculistas – não crêem, nem descrêem; sabem que existe uma força e procuram  se beneficiar dela de qualquer forma. Cuida-se deles, não conhecem a palavra  gratidão, negarão amanhã até que conheceram uma casa de Umbanda…

Chegam suaves, têm o riso e o elogio à flor dos lábios, são fáceis, muito fáceis;  mas se olhares bem seu semblante verás escrito em letras claras: creio na tua  Umbanda, nos teus Caboclos e no teu Zambi, mas somente se venceram “meu  caso”, ou me curarem “disso ou daquilo”…

E a sétima, filho, notaste, como foi grande e como deslizou pesada?

Foi a  ÚLTIMA LÁGRIMA, aquela que “vive” nos “olhos”de todos os orixás; fiz  doação dessa aos vaidosos, cheios de empáfia, para que lavem suas máscaras e  todos possam vê-los como realmente são…

“Cegos, guias de cegos”, andam se exibindo com a Banda, tal e qual  mariposas em torno da luz; essa mesma LUZ que eles não conseguem VER,  porque só visam à exteriorização de seus próprios “egos”…

“Olhai-os” bem, vede como suas fisionomias são turvas e desconfiadas; observai-os quando falam “doutrinando”; suas vozes são ocas, dizem tudo de  “cor e salteado”, numa linguagem sem calor, cantando loas aos nossos Guias e  Protetores, em conselhos e conceitos de caridade, essa mesma caridade que não  fazem, aferrados ao conforto da matéria e à gula do vil metal. Eles não têm  convicção.

Assim, filho meu, foi para esses todos que viste cair, uma a uma, AS SETE  LÁGRIMAS DE PAI-PRETO!

Então, com minha alma em pranto, tornei a perguntar: não tens mais nada a  dizer, Pai-Preto?

E, daquela “forma velha”, vi um véu caindo e num clarão  intenso que ofuscava tanto, ouvi mais uma vez…

“Mando a luz da minha transfiguração para aqueles que esquecidos pensam  que estão… ELES FORMAM A MAIOR DESSAS MULTIDÕES”…

São os humildes, os simples; estão na Umbanda pela Umbanda, na confiança  pela razão… SÃO OS SEUS FILHOS-DE-FÉ.

São também os “aparelhos”, trabalhadores, silenciosos, cujas ferramentas se  chamam DOM e FÉ, e cujos “salários” de cada noite… são pagos quase sempre  com uma só moeda, que traduz o seu valor numa única palavra – a INGRATIDÃO…

W.W. Da Matta e Silva (Do Livro Lições de Umbanda e Quimbanda)

 

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